Thursday, February 15, 2007

BRUNO ROGENS BEZERRA DEFENDE DISSERTAÇÃO SOBRE A REVOLUÇÃO PRODUTIVA DO SOFTWARE LIVRE


Na foto: Alvaro, Bruno e eu.


No dia 13 de fevereiro, às 16 hora, na Universidade Federal do Maranhão, em São Luís, o jovem Bruno Rogens Ramos Bezerra defendeu a dissertação O NOVO PARADIGMA TECNOLÓGICO E SUAS IMPLICAÇÕES JURÍDICAS: A REVOLUÇÃO PRODUTIVA DO SOFTWARE LIVRE. Tive a grande oportunidade de integrar a banca de arguição do seu trabalho. Também participaram da banca o seu orientador Prof. Dr. Álvaro Roberto Pires e o Prof. Dr. Marcelo Domingos Sampaio Carneiro, ambos da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

O trabalho de Bruno tratou um dos mais relevantes temas da fronteira tecnológica sobre a perspectiva social. Resgatou o pensamento crítico marxista para analisar as contradições do capitalismo no cenário informacional. Demonstrou que o marxismo é plenamente aplicável ao entendimento da atual realidade em transformação.

OUTRO ponto fundamental é que apesar de inserido no contexto marxista, a crítica de Bruno, supera o marxismo ortodoxo ou determinista quando trata do enquadramento teórico do fenômeno da produção compartilhada na rede mundial de computadores. Para isso, parte das idéias da corrente do marxismo analítico. Praticamente, Bruno indica-nos que nem todas as contradições são antagônicas (basta ver como grandes empresas, tais como IBM, SUN, NOKIA, utilizam também o modelo de tecnologias abertas) e que nem todo o antagonismo conduzirá necessariamente a uma transformação ou superação do capitalismo (Por exemplo, Eric Raymond é ultracapitalista).

O trabalho de Bruno enfrenta algumas grandes dificuldades quando vai tratar da contradição entre as novas forças produtivas, emanadas da prática P2P, e as relações de propriedade. Aí emerge o problema dos sujeitos históricos. Quem cria as contradições no sistema? As coisas? Não. O capital, já dizia Karl Marx, é uma relação social, por mais que se pareça com uma relação entre coisas (fetiche da mercadoria). Pois, então! Quem são as forças em contraposição? Os hackers seriam os novos agentes da mudança?

Vale a pena continuar essa linha de investigacão. Talvez Bruno continue no doutorado. Mas certamente terá que incluir no seu referncial teórico novos autores como Yochai Benkler, Lessig, bem como terá que aprofundar o debate proposto por Antonio Negri, de um lado, e André Gorz, de outro.

1 comment:

Bruno Rogens said...

Sou muito grato ao Prof. Sérgio Amadeu pelas valiosas observações na arquição do meu trabalho. Certamente as levarei em conta para pensar a continuidade da pesquisa.
Por outro lado a presença de Sérgio em São Luís foi de grande importância para a luta pelo Software Livre em nossa realidade. Na Quarta (14) o Prof. proferiu a palestra "a mobilização colaborativa e o cenário tecnológico atual" no qual o professor mostra, basicamente, que as práticas colaborativas já extrapolam a esfera do Software Livre e se torna hoje uma realidade irreversível no ciberespaço.
foi muito agradável mostrar as coisas boas de São Luís ao prof. Amadeu. Sinta-se à vontade para voltar a visitar-nos assim que quiser.
um forte abraço Sérgio!!
"O Futuro é Livre!!!"