Wednesday, November 19, 2008

Bauman e a ambivalência: a verdade como relação social de dominação...


Ofereço este trecho do livro Modernidade e Ambivalência, de Zygmunt Bauman, para nossa reflexão:

"A verdade é, em outras palavras, uma relação social (como poder, propriedade ou liberdade): aspecto de uma hierarquia feita de unidades de superioridade e inferioridade; mais precisamente, um aspecto da forma hegemônica de dominação ou de uma pretensão a dominar pela hegemonia. A modernidade foi, desde o início, essa forma e pretensão. A parte do mundo que adotou a civilização moderna como seu princípio estrutural e valor constitucional empenhava-se em dominar o resto do mundo dissolvendo sua alteridade e assimilando o produto de sua dissolução. A alteridade perseverante só podia ser tratado como um aborrecimento temporário, como um erro fadado a ser, cedo ou tarde, superado pela verdade. A batalha da ordem contra o caos nos assuntos mundanos era reproduzida pela guerra da verdade contra o erro no plano da consciência. A ordem fadada a instalar-se e tornar-se universal era uma ordem racional; a verdade fadada a triunfar era a verdade universal (portanto apodítica e obrigatória). Juntos, a ordem política e o conhecimento verdadeiro mesclavam-se num projeto de certeza. O mundo racional e universal da ordem e da verdade não conheceria contingência nem ambivalência. O alvo da certeza e da verdade absoluta era indistinguível do espírito dominador e do projeto de dominação." (245,246)

7 comments:

Anonymous said...

"O que é a verdade?"

Anonymous said...

"A verdade é, em outras palavras, uma relação social (como poder, propriedade ou liberdade): aspecto de uma hierarquia feita de unidades de superioridade e inferioridade; mais precisamente, um aspecto da forma hegemônica de dominação ou de uma pretensão a dominar pela hegemonia."


O que diz e trecho sobre a verdade? Exatamente nada! Por isto que a huminadade anda em circulos como baratas tontas com filosofias polidas pelo coraçao do homem.

tiagón said...

como de praxe, Bauman martela o prego exatamente na cabeça. a verdade como "o certo" (e vice-versa) é o supremo e último subterfúgio da tirania ideológica.

pessoalmente, acho Bauman imprescindível para compreender e aceitar o momento que vivemos hoje. tanto que a Verbeat nasceu, e segue, muito por causa dele.

*verbeatblogs, inclusive, onde tens uma cadeira cativa à espera, quando quiseres deixar o blogspot :)

Anonymous said...

"tirania ideológica"


A verdade nunca foi tirana.

Anonymous said...

A os intelectuais brasileiros consiste em Ferreira Gular, que se acha um grande poeta e pensador brasileiro e que tem um monte de gente que baba seu ovo.

Os intelectuais brasileiros estudaram nas escolas particulares e seus pais sofreram para pagar suas mensalidades. Bom, voltando em Ferreira Gular ele disse o seguinte :

__"Deus é um invençao do homem!"

Olha que pensamento mais profundo. Coitado, este é um dos nossos poetas. Atualmente estamos "à pé" de politicos e poetas e intelectuais. E a dialetica do brasileiro consiste em SAMBA FUTEBOL CPI'S.

Veronica said...

hummm...Tô pensando...
Pero...
Pode chamar do que for, mas, se somos "capazes de tudo, até de uma boa ação, menos de imparcialidade" (ou de neutralidade), como dizia o velho tricolor, sempre haverá uma relação social a que daremos um valor de verdade. Se não, sei lá, corre o risco da coisa ficar assim... comodamente relativista...Ou simplesmente hipócrita: fingimos que somos tão desprendidos, e vamos reconstruindo as táticas de conquista da hegemonia recobertas de delicadeza e retórica. Por isso, acho que importa menos que se chame ou não de verdade os aspectos que privilegiamos na hierarquia social; e mais os procedimentos objetivos para aceitar e conviver com aquilo que não estiver contido neles... bjs.

Luis Fernando Guggenberger said...

Sérgio, criamos o Ning http://vivoeduca.ning.com para construir coletivamente o Seminário "A Sociedade em Rede e a Educação". Sua experiência é muito importante para a Rede.