Monday, December 03, 2007

TV DIGITAL NO BRASIL: A INTERATIVIDADE EXCLUDENTE

A TV digital lançada por Lula nasce sob o controle da Globo. A vantagem de um padrão brasileiro seria um custo menor do setup box, a possibilidade de adesão de toda a América do Sul ao nosso padrão, um grande interatividade e maior democratização na ocupação do espectro radioelétrico.

Mas o governo seguiu um outro caminho. Pelo menos aderiu às óbvias vantagens do software livre no midleware, apostando na utilização do Ginga, software desenvolvido pela universidade brasileira. Precisamos defender o Ginga, pois as multinacionais irão buscar usar outros softwares em seus aparelhos. A defesa do Ginga passa pelo seus uso. Passa pela produção de conteúdos nesta plataforma. Seu uso é fácil e pode ser disseminado rapidamente pelas escolas de comunicação.

O PROBLEMA DO CANAL DE RETORNO...

A TV digital aprovada pelo Lula é menos interativa do que de alta definição. É menos democrática do que protetora dos radiodifusores diante do ataque mundial das operadoras de telefonia. Uma pena que seja também uma TV que deixará de ser gratuita. Por que? Simplesmente pelo fato da interatividade da TV digital brasileira usar um canal de retorno que será pago. O download dos conteúdos será gratuito, mas o uopload será pelos canais controlados pelas operadoras de telecom. Dúvido que seja de graça. Será que o presidente irá exigir que os fluxos da TV aberta brasileira sejam gratuitos?

Os brasileiros mais pobres não utilizam a telefonia fixa, não pagam banda larga, pelo alto custo desses serviços e pela extrema pobreza da maioria de nossa população. Então, quando comprarem o setup box e souberem que terão que usar a telefonia fixa para ;parar uma cena, pedir um produto ou ver uma outra parte da novela, eles simplesmente deixarão a interatividade de lado...
Interatividade será para os incluídos sociais...
lamentável.

4 comments:

Anonymous said...

é... minha tv ainda não é digital... e vai continuar sem ser por um bom tempo... mas eu ja vi grande interatividade na apresentação do lula... o vídeo que ele mostrou estava interagindo muito bem com a programação normal da tv, cada hora passava um pouquinho do video depois um pouquinho da programação rsrs só acho que não era isso que eles esperavam =)

mais um fator para manter o analfabetismo digital? esperar pra ver...
_______
Rozana.

Isaac Filho said...

Interativo pra quem já leva uma vida interativa: banda-larga, hdtv entre outras coisas... Essa interatividade será algo distante da "pessoinha" com a casa de 1 cômodo, com uma TV de 14 polegadas...

Sem contar com esse apadrinhamento e a negação do Brasil em fazer um modelo próprio. Como foi dito no texto, resta lutar e apoiar o Ginga.

Abraços, Isaac Filho
http://livrese.wordpress.com

Anonymous said...

Sérgio:

Depois de refletir muito sobre a questão dos direitos autorais, da TV Digital e do meio audiovisual, eu venho por meio desta colocar a minha posição de cidadã.
Não é a lei dos direitos autorais que impede o acesso ao conhecimento, e sim a falta de emancipação audiovisual promovida pela sindicalização do meio audiovisual como um todo que impõe barreiras à profissionalização devido à forte e contraditória regulamentação do meio. Seria possível dizer que a profissão de profissional do audiovisual sequer deveria ser regulamentada através de uma lei, mas de uma auto-regulação. Há quem estupidamente argumente que assim como a medicina é regulamentada, o exercício da profissão cinematográfica deveria ser regulamentado. Pois isso não cria mais que uma reserva de mercado. Aliás, uma reserva de mercado que apoiada em ideologias espúrias corrobora com uma série de acontecimentos no meio audiovisual como um todo. Pois veja, se o acesso ao conhecimento deve ser garatindo como direito humano, também o usufruto desse conhecimento deve ser garantido ao trabalhador. É disso que se trata uma emancipação audiovisual e de inclusão dessas milhares de pessoas que hoje copiam, colam e recriam obras.
Assim como o exercício das profissões de informátca ee livre, o exercício das profissões do audiovisual deveriam ser livres, e no seio do próprio trabalho, os milhares de autores brasileiros deveriam poder decidir como quando e onde divulgar seus trabalhos e não se limitar apenas a uma questão do canal de retorno, mesmo porque a informação que chega aos ouvidos de quem assiste já vem filtrada pelos profissionais regulamentados pelo meio. Emancipação audiovisual é dar voz a quem é impedido por lei de usufruir do próprio conhecimento porque a profissão é regulamentada!
Acho que enquanto a questão do trabalho audiovisual não for resolvida e não entrar na agenda, falar sobre canal de retorno é soprar no vento!

Gustavo Sverzut Barbieri said...

Sérgio,

Eu como engenheiro tenho que pedir que você nos apresente a solução mágica para o retorno gratuito, livre e barato.

Sinceramente, não tem jeito. Fazer a descida do satélite e receptores é fácil, mas o retorno é algo muito mais complicado. Ou você passa novos cabos na cidade toda ou depende dos cabos já passados, fazer transmissão pro satélite de cada set-top-box é inviável.

Além disso, mesmo a TV digital provendo alguma interatividade, ainda é muito limitada se comparada à internet, logo interatividade mesmo vai acabar sendo a internet e é mais fácil focar em ter esta acessível a todos.