Thursday, January 24, 2008

O PROGRAMA DE CIBERCULTURA NO CURSO DE PÓS DA CÁSPER LÍBERO


Estão abertas as inscrições, até o dia 31 de janeiro, para o mestrado e para o Lato Sensu na Faculdade Cásper Líbero. No mestrado, estarei ministrando a matéria Economia da Informação. No Lato, discutirei a cibercultura. Este curso introduz o aluno ao mundo teórico das redes, do ciberespaço e da cultura digital. Veja o programa da matéria:

CIBERCULTURA E COMUNICAÇÃO EM REDE
Prof. Sérgio Amadeu da Silveira

EMENTA
Cultura digital, Cibercultura e Cultura das Redes. Impactos da interatividade nas mídias tradicionais. Cultura recombinante, remixagem e a obra inacabada. O que realmente muda na revolução informacional. A cultura da convergência e a digitalização intensa dos bens simbólicos. Interfaces emergentes nas redes P2P, práticas colaborativas e diversidade digital. TV Digital, sobre IP e distribuída. Open jornalism, qualidade e credibilidade diante da cultura remix. Realidades alternativas, simulações e múltiplas identidades. Os mitos da cibercultura. Contradições do capitalismo cognitivo diante da cultura digital: a crise da autoria e da propriedade intelectual. Os enfrentamentos na rede promovidos pela indústria dos conteúdos: cultura da permissão versus cultura livre. Economia da atenção e do relacionamento diante das comunidades virtuais, multitudes inteligentes e novas possibilidades de comunicação.

AULAS E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 O QUE É CIBERCULTURA: ORIGENS E ORIENTAÇÕES; DAS FICÇÕES À TECNO-ARTE DE PIERRE LÉVY

LEMOS, André. O imaginário da cibercultura: entre neo-luddismo, tecno-utopia, tecnorealismo e tecnosurrealismo. Disponível: www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/imaginario.htm Acesso em 02/08/2006.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. (Capítulos VIII – O som da cibercultura e IX- A arte da cibercultura).

2 CULTURA DIGITAL E CULTURA DE REDE E DIVERSIDADE.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu. Diversidade digital e cultura, versão beta. Disponível no site: http://wikipos.facasper.com.br
Vídeo Prometeus - The Media Revolution. Disponível no site: http://www.youtube.com/watch?v=xj8ZadKgdC0&eurl=http%3A%2F%2Fwww%2Esedentario%2Eorg%2Fgalerias%2Fprometeus%2Dthe%2Dmedia%2Drevolution%2F

3 EXISTE UMA REVOLUÇÃO INFORMACIONAL? METÁFORAS E METONÍMIAS NA ANÁLISE DAS REDES.

CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. (Capítulo 1: Lições da história da Internet; Capítulo 2: A Cultura da Internet.)
WINNER, Langdon. A Informação como Mito. Disponível: http://members.fortunecity.com/cibercultura/vol4/infmito.html Acesso 03/08/2006.

4 MITOS DA CIBERCULTURA E CULTURA DA CONVERGÊNCIA: O FUTURO DAS MÍDIAS TRADICIONAIS E A METALINGUAGEM DIGITAL.

WOLTON, Dominique. Internet, e depois? uma teoria crítica das novas mídias. Porto Alegre: Sulina, 2003. (Capítulo 1: A comunicação no coração da modernidade)
COSTA, Caio Túlio. Por que a nova mídia é revolucionária. Líbero – Revista do Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero. Ano IX, n. 18, dez. 2006, pp 19-30.
VIRILIO, PAUL. Cibermundo: a política do pior. Lisboa: Teorema, 2000.

5 DISPUTAS DO MUNDO DIGITAL: LIBERDADE E ANONIMATO OU VIGILÂNCIA

SILVEIRA, Sergio Amadeu. Hackers, monopólios e instituições panópticas: elementos para uma teoria da cidadania digital. Líbero – Revista do Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero. Ano IX, n. 17, jun 2006, pp 73-81.
Análise do Projeto de Lei Substitutivo ao PL da Câmara nº 89, de 2003, e Projetos de Lei do Senado nº 137, de 2000, e nº 76, de 2000, todos referentes a crimes na área de informática. Referncias no site: http://www.safernet.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/PLSEduardoAzeredo

6 DISPUTAS NO MUNDO DIGITAL: PROPRIEDADE INTELECTUAL E O QUE ESTÁ EM JOGO?

BARLOW, John Perry. Economia de idéias. Disponível no site: http://3pontozero.net/2007/01/26/economia-de-ideias/ Acesso em 15/02/2007.
SILVEIRA, Sergio Amadeu. Na economia digital colaborar é mais eficiente que competir. Jornal Gazeta Mercantil, abril 2007, p 3.
SMIERS, Joost. Artes sob pressão: promovendo a diversidade cultural na era da globalização. São Paulo: Escrituras Editora: Instituto Pensarte, 2006. (Capítulo: A originalidade questionável)

7 CULTURA DA PERMISSÃO VERSUS CULTURA LIVRE?

LESSIG, Lawrence. Cultura Livre: como a grande mídia usa a tecnologia e a lei para bloquear a cultura e controlar a criatividade. São Paulo: Trama 2005. Disponível: www.tramauniversitario.com.br (Capítulos 1 ao 8)

8 O QUE É PEER-TO-PEER? COMO ELE ALTERA O CIBERESPAÇO E O ECOSSISTEMA INFORMACIONAL?

PRIMO, Alex. Sistemas de Interação. In: Comunicação na Cibercultura / Dinorá Fraga da Silva e Suely Fragoso. São Leopoldo, RS: Editora Unisinos, 2001.

Vídeo WEB 2.0: http://www.youtube.com/watch?v=6gmP4nk0EOE

9 WEB 2.0 EXISTE? REDES SOCIAIS E PRÁTICAS COLABORATIVAS NA REDE?

SPYER, Juliano. Conectado: o que a Internet fez com você e o que você pode fazer com ela. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
ESTUDO DE 5 CASOS: 1) wikipedia; 2) youtube; 3) seti@home 4) jamendo 5) overmundo 6) radar Cultura; 7) twitter.

10 MULTITUDES INTELIGENTES E CIBERRESISTÊNCIA: SUBVERSÕES EM CURSO NA REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES.

RHEINGOLD, Howard. Multitudes inteligentes: la próxima revolución social. Barcelona: Editorial Gedisa, 2004. (Capítulo 6- Retazos inalámbricos; e 7- Las multitude inteligentes: el poder de las multitudes móviles)

11 EXISTE UMA ESFERA PÚBLICA CONECTADA?

BENKLER, Yochai. The wealth of networks: how social production transforms markets and freedom. Disponível: http://www.benkler.org/wealth_of_networks/index.php?title=Download_PDFs_of_the_book (capítulo 7)
POSTER, Mark. Ciberdemocracia: A Internet e a Esfera Pública. Disponível: http://members.fortunecity.com/cibercultura/vol13/vol13_markposter.htm Acesso em 04/08/2006.

12 OPEN JORNALISM E O FUTURO DA IMPRENSA.

BREIER, Lucilene. Slashdot e os filtros no Open Source Journalism. Disponível no site: http://www.bocc.ubi.pt/pag/breier-lucilene-slashdot.html
BRAMBILLA, Ana Maria. Jornalismo online em OhmyNews. Paper da mestranda em comunicação e informação da UFRGS. Disponível em PDF.

13 REALIDADES ALTERNATIVAS E AS NOVAS SOCIABILIDADES. O UNIVERSO DOS GAMES.

Vídeo GAMER BR, Pirex.
SANTAELLA, Lucia. Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus, 2007. (Introdução, Capítulos: Games e ambientes compartilhados; O paradoxismo da auto-referencialidade nos games)
DARLEY, Andrew. Jogos e avanturas: surfando a imagem. Disponível no site: http://members.fortunecity.com/cibercultura/vol12/vol12_andrewdarley.htm . Acesso 10/07/2007.

14 METARECICLAGENS E COOPERATIVAS DE CONEXÃO ABERTA E OPEN SPECTRUM: PARA ONDE CAMINHA A LUTA PELA DEMOCRACIA DIGITAL.

SILVEIRA, Sergio Amadeu. Redes Virais e Espectro Aberto: Descentralização e Desconcentração do Poder Comunicacional. In: Comunicação digital e a construção dos commons: redes virais, espectro aberto e as novas possibilidades de regulação. São Paulo: Editora Perseu Abramo, 2007.

12 comments:

Baboo said...

Sérgio, a Microsoft foi uma das principais responsáveis pela difusão da informática no mundo, através do Windows. Muito antes do nascimento do Linux, o Windows mostrou ao mundo que era possível trabalhar, se comunicar e transformar o mundo com a informática e a tecnologia.

A imensa maioria dos tópicos abordados no seu programa de cibercultura só é possível hoje por causa do Windows, que massificou o uso do computador, e se tornou uma ferramenta universal para o uso de softwares e novas tecnologias. Com isso ele criou um mercado imenso que atraiu empresas e pessoas, mudando a sociedade e permitindo a qualquer um conectar mundos diferentes através de um computador e um modem.

A sua abordagem no curso leva em conta esse fato, ou você tratará a Microsoft e o Windows como algo malévolo e negativo para o mundo, como na época do ITI ?

samadeu said...

Bem vindo novamente ao meu blog, Baboo. Que bom que vc leu o programa do meu curso. Seria bom que você pudesse fazê-lo. Assim, você poderá ler autores diversos e conviver com a diversidade. Gostei da sua tentativa de pensar a cibercultura, além do mercado e dos interesses da empresa que defende (ou talvez trabalhe), mas é importante corrigir alguns equívocos de seu post.
Primeiro, a micro$oft faz parte da história das tecnologias da informação. Ela será lembrada como um monopólio, condenada em seu próprio país por ação anti-concorrencial, e que tentou aprisionar os usuários do mundo ao seu modelo econômico. Tal como é impossível pensar a história do século XX sem pensar no nazismo e no totalitarismo, é errado pensar na cibercultura sem considerar o papel do software proprietário.
Segundo, como diz André Lemos lembrando Willian Gibson, a “cibercultura é remix”, prática que a micro$oft tentou em vão evitar. O maior ícone da cibercultura, a Internet, foi criticada em seus primórdios por Bill Gates, pois ele achava impossível existir uma rede aberta, sem donos, desenvolvida compartilhadamente. Tim Berners-Lee, o principal criador da web, contribuiu muito mais para a expansão da cultura digital do que o modelo de bloqueio ao conhecimento tecnológico disseminado por Gates.
Terceiro, não foi o windows que disseminou o uso de computadores. Talvez você não saiba, mas o que garantiu a explosão dos computadores pessoais (PCs) foi a decisão da IBM de fabricar um computador que pudesse ser facilmente produzido e que tivesse a arquitetura de seus componentes aberta, ou seja, não patenteada. Foi a arquitetura aberta dos PC s que viabilizou o padrão de computadores que temos até hoje. O que a micro$oft fez foi usar a IBM para disseminar o seu software que era o DOS, não era o windows Baboo. O windows só surgiu depois que a micro$oft engabelou a Apple e tomou seu modelo de ícones e de uso do mouse. Nem o DOS foi criado pela micro$oft, ele foi comprado por menos de U$ 50 mil de um estudante.
Quarto, antes do windows e do DOS, os programadores compartilhavam softwares e seus códigos-fontes, tal como ocorria com o UNIX que é anterior ao windows. O UNIX é a base do Linux, do FreeBSD e atualmente o BSD é a base do sistema opercional do Mac. Baboo, seu post tem mais este erro histórico.
Quinto, quando a micro$oft criou seu Office existiam inúmeros editores de texto e planilhas de cálculos, entre outros aplicativos. As estratégias monopolistas da micro$oft prejudicaram a evolução da informática (leia o texto de Stiglitz no processo contra a Micro$oft nos EUA), pois bloquearam a concorrência de outras soluções. Alias, Baboo, você deve saber também que a M$ o Lottus existia antes do Office.
Sexto, um dos principais sociólogos da sociedade da informação, Manuel Castells, escreveu no livro A Galáxia da Internet: “...é difícil negar que Bill gates e a Microsoft sintetizam a cultura empresarial, pelo menos nos estágios iniciais da companhia. Mas eles não foram os criadores da Internet em termos tecnológicos. Na verdade, deixaram isto escapar. Gates embra tivesse sido um hacker na juventude, não pertencia a cultura hacker – a bem da verdade, acusou os hackers de ladrões em sua famosa “Open letter to hobbyists”(Levy, 2001, p. 229). Ao afirmar o primado dos direitos de propriedade (Gates: “Quem pode permitir fazer um trabalho profissional a troco de nada?”), Gates pôs o ganho de dinheiro antes da inovação tecnológica. Assim, a Microsoft representou a coorente empresarial que se desenvolveu mediante a comercialização do processo de inovação tecnológica em computação, sem compartilhar seus valores fundamentais.” (A Galáxia da Internet, p. 35)
Sétimo, sugiro Baboo que você leia o livro A Estada do Futuro de seu ídolo, Bill Gates irá confirmar pelas palavras do próprio esta breve sequência histórica que aqui relatei.
Oitavo, a cibercultura nunca dependeu de um produto. A cibercultura é um conjunto simbólico e um processo que se constituiu a partir da expansão das redes informacionais. A Internet é o elemento decisivo para a cibercultura. Infelizmente, já nos anos 90, Gates dizia que o futuro estava no CD por que nunca entendeu como seria possível existir uma rede fora do controle de uma empresa, e, muito menos do seu controle. Vamos combinar, o cara é mal de previsões. Ele é bom para traçar estratégias monopolistas e de aprisionamento. Bom, quando descobriu que estava errado montou uma operaçao para dominar a rede a partir do controle que tinha do sistema operacional. Atacou o Netscape e foi condenado pela corte americana por prática monopolista.

Agradeço seu post e convido vc para participar mais vezes. Desculpe-me pelas correções, mas a verdade não fará mal a você. Por fim, só prá lembrá-lo: foi a micro$oft que me perseguiu e chegou até a me processar. Quando perceberam que não conseguiriam me intimidar e que eu levaria as provas contra suas práticas monopolistas, recuaram. O que fiz foi apenas ajudar a quebrar a reserva de mercado que ela detinha em Brasília. Quando entrei no governo federal menos de 4% dos servidores de rede dos Ministérios usavam Linux e FreeBSD. Quando sai, eram mais de 40%. Maior segurança, maior estabilidade nas redes. Claro, que os monopolistas da micro$oft ficaram irritados.

Joao said...

Baboo,

Esta versão da história é a que eles contam. Porque vc não diz que o Windows é plágio do sistema operacional da Apple?

Vc ganha grana para escrever essas coisas ou é burrice mesmo?

Saudações fraternas.

Baboo said...

João, não há burrice nenhuma aqui, havendo apenas a sua total ignorância no assunto.

Em 1988 a Apple processou a Microsoft, alegando que esta "copiou" o seu sistema operacional. Ela perdeu o processo por dois motivos:

1) A Microsoft licenciou o GUI da Xerox, da mesma maneira que a Apple o fez - ou vc realmente achou que a Apple criou o GUI utilizado no MacOS ?

2) Na época do Windows 1.0, a Apple licenciou p/ a Microsoft o uso de 179 dos 189 elementos gráficos que ela alegou que a Microsoft copiou, e os outros 10 não eram cópia da Apple. Aparentemente a Apple "esqueceu" esse acordo.

O próximo fato importante que envolveu a Apple e Microsoft foi em 1997, quando a Apple estava à beira da falência e a Microsoft ajudou-a injetando $150 milhões em dinheiro (afinal o lucro com o Office para Mac justificou isso).

A divertida humilhação pública da Apple está em
http://www.youtube.com/watch?v=qSWV9Zg_qQI

Baboo said...

Sérgio, inicialmente eu não acredito em nenhuma "perseguição" da Microsoft contra vc. A partir do momento que vc difama a empresa alegando que ela utiliza "práticas de traficante" (ou algo similar), é de se esperar que ela exija explicações sobre isso. Convenhamos que a sua declaração não foi nem um pouco educada e muito menos ética, né ?

Além disso, não é o Linux que utiliza claramente a sua "prática de traficante" ? Depois de uma empresa instalá-lo "de graça", ela tem de gastar uma fortuna na mão de profissionais e empresas de suporte para realizar qquer manutenção, uma vez que pouquíssimas pessoas no mercado são aptas a isso..

Com Windows, ao menos praticamente qualquer um pode configurá-lo..

Bem, vamos lá:

1) A Microsoft foi condenada como monopolista pelas suas táticas comerciais, e não pela tentativa de "aprisionar" o usuário. Qualquer um pode desinstalar o Windows e instalar Linux em seus computadores, mas se nem de graça os usuários querem usá-lo (afinal ele tem meros 0,4% de market share depois de mais de 10 anos no mercado), não culpe a Microsoft por ter um produto que todos preferem utilizar. O mesmo ocorre com o Office x OpenOffice, aonde mesmo este sendo gratuito ele tem apenas uma minúscula parcela do mercado..

2) A internet não existiria da maneira como ela é hoje se não fosse a disseminação do Windows. Foi o Windows que popularizou o seu uso, pois se não fossem os mais de 95% de usuários e empresas que utilizam esse SO, a internet hoje estaria em um estado muito mais primitivo. O Windows permitiu que as empresas tivessem acesso a um mercado de milhões de usuários e potenciais compradores, e com isso houve investimento na internet. Sem este investimento, nada teria acontecido. Se a internet dependesse de Unix, Linux e Mac, ela seria um fracasso em comparação com o que ela é hoje.

3) O DOS não disseminou o uso dos computadores, pois naquela época o custo dos computadores era muito alto e nem todos tinham acesso. A disseminação ocorreu mesmo após o Windows 3.0, pois ele foi uma novidade para o mercado, trazia muitas vantagens em relação ao DOS, tinha diversos programas gráficos (que era a vantagem da Apple), era fácil de usar e relativamente barato. Com isso as vendas dos PCs cresceram muito e essa versão do Windows vendeu 3 milhões de cópias em um ano. Com o aumento da demanda, o custo do PC caiu e muitos mais puderam comprar eles - e aí a Apple começou a afundar. Houve um incentivo ao desenvolvimento de aplicações para Windows (razão do fracasso do IBM OS/2) e isso contribuiu para o fim do DOS. Na prática, se o Windows não existisse, as vendas de PC seriam infinitamente menores do que hoje.

4) A Microsoft não copiou a Apple. Em 1988 a Apple processou a Microsoft, alegando que esta "copiou" o seu sistema operacional. Ela perdeu o processo por dois motivos:

a) A Microsoft licenciou o GUI da Xerox, da mesma maneira que a Apple o fez - ou vc realmente achou que a Apple criou o GUI utilizado no MacOS ?

b) Na época do Windows 1.0, a Apple licenciou p/ a Microsoft o uso de 179 dos 189 elementos gráficos que ela alegou que a Microsoft copiou, e os outros 10 não eram cópia da Apple. Aparentemente a Apple "esqueceu" esse acordo.

5) A questão do Office é muito mais simples: o MS-Office começou pequeno e foi crescendo aos poucos. A maior vantagem da Microsoft foi o fato da Lotus, Borland e MicroPro não terem acreditado no Windows, pois se elas tivessem feito isso ao invés de se focarem nas suas versões para DOS, muitos ainda estariam utilizando o Lotus, QUattro Pro e Wordstar. Elas erraram em continuar apostando no DOS e considerarem o Windows como um "nicho de mercado". Esse erro foi fatal, pois quando elas lançaram suas versÕes para Windows, era tarde e a Microsoft já tinha um produto melhor. Não houve nenhum "bloqueio de concorrência", mas sim um erro estratégico dos concorrentes.

[Aliás, esse é o principal problema do Linux nos desktops: ele também chegou tarde demais, quando o Windows já mostrou que tem tudo que o usuário precisa e não há motivo real para mudança de SO. O curioso é que hoje em dia as distros Linux copiam absolutamente tudo do Windows (visual, funcionalidade, elementos gráficos ...) e mesmo assim a sua parcela de uso é irrisória. Isso não se deve a monopólio algum (se qualquer um pode apagar o Windows e instalar o Linux ali, porquê não o fazem ?) e nem a limitações técnicas (pois o Linux funciona bem). Você pode procurar todo tipo de justificativa anti-MS para o fracasso do Linux nos desktops, mas o fato é que o Linux chegou tarde demais no mercado. Isso não ocorreu no mercado de servidores, mas isso já é outra história.]

6) Gates defendeu a monetarização da inovação tecnológica, e não o dinheiro antes da inovação. Se Gates colocasse o dinheiro antes da inovação, a Microsoft jamais investiria anualmente US$ 7 bi em R&D sem saber se haverá lucro nisso. A inovação tecnológica continua acontecendo e isso não é de graça, pois há muita dedicação de tempo e dinheiro envolvidos.

7) Gates não é meu ídolo, mas eu admiro o que ele fez (Windows e Microsoft) e a mudança de vida depois disso (filantropia).

8) Gates errou na questão da internet e isso é normal, pois ninguém acerta sempre.

9) Na questão Netscape x IE, a AOL processou a Microsoft, mas houve um acordo fora dos tribunais: a Microsoft pagou US$ 750mi e a AOL poderia distribuir uma versão customizada do IE por 7 anos sem pagar royalties. Que ironia, hein ? ...

Sobre enfiar o software livre "goela abaixo" no governo, o resultado é que o serviço piorou e o custo aumentou: http://veja.abril.com.br/170506/p_068.html. Outro bom exemplo é o "Computador para Todos", aonde o uso do Linux só serviu para aumentar a pirataria do Windows: http://www.baboo.com.br/absolutenm/templates/content.asp?articleid=26481&zoneid=201. Esse é o resultado de impor uma filosofia a qualuqer custo, pois é um erro acreditar que o software livre é sempre a melhor solução só porque ele é "gratuito" ou "aberto"...

[]s

samadeu said...

Baboo,
Agradeço novamente pelos seus comentários. Fico feliz pelo seu esforço em estudar um pouco a história da sociedade da informação. Gostaria apenas de lembrá-lo que não sou remunerado por nenhuma empresa pelas idéias que defendo. As pessoas criam e escrevem não apenas por razões de mercado. Espero que vc seja remunerado para defender o monopólio de software para desktop, pois é muito feio defender por ideologia uma empresa que tem vocação imperialista e que bloqueia o conhecimento coletivo como forma de lucrar.
Veja por que disse que a micro$oft age como traficante que dá a primeira dose. Leia a matéria sobre a ação de Gates na China:

"Contrary to what you may think - Microsoft isn't losing sleep over the rampant software piracy in China but it's the other way round.

The "something is better than nothing" strategy of Bill Gates is that when people in China are pirating so much software, let them pirate software developed by Microsoft -that increases the overall number of Microsoft software users and some of them may eventually convert into paying customers.

This surprising "pro-piracy" move in China has proved beneficial for Microsoft in the long run and Windows is used on an estimated 90% of China's 120 million PCs. Fortune Magazine writes:

Gates argued at the time that while it was terrible that people in China pirated so much software, if they were going to pirate anybody's software he'd certainly prefer it be Microsoft's.

Today Gates openly concedes that tolerating piracy turned out to be Microsoft's best long-term strategy. That's why Windows is used on an estimated 90% of China's 120 million PCs.

Indeed, in China's back alleys, Linux often costs more than Windows because it requires more disks. And Microsoft's own prices have dropped so low it now sells a $3 package of Windows and Office to students."

FONTE: http://labnol.blogspot.com/2007/07/we-love-microsoft-software-piracy-in.html

Baboo, leia o livro Economia da Informação e poderá ver que Carl Shapiro e Hall Varian descrevem todas as estratégias de aprisionamento da empresa em que vc trabalha.

Outra coisa: o que a micro$oft não aceita até hj é que eu ajudei a quebrar a reserva de mercado que existia para os seus produtos no governo federal.

Não quero aqui ficar atacando o monopólio, nem o modo em que operam dentro do Estado. Mas se vc insistir posso mostrar como eles fazem. Por exemplo, sabe de onde a micro$oft recruta seus lobistas em Brasília?

Prefiro defender a liberdade para o conhecimento e o modelo de código aberto (aquele que a micro$oft diz ter aderido) e escrever sobre os projetos colaborativos.

Por fim, vc poderia ler um pouco mais os livros de história inclusive as entrevistas do Craig Mundi. Vc verá que vc está sendo mais realista que o rei. Vc defende a micro$oft de um jeito um tanto distorcido.

Baboo said...

Sérgio, eu trabalho com Windows desde 1987, quando comecei a trabalhar com a versão 2.01, que sequer tinha ícones. Desde então eu tenho acompanhado a evolução do Windows, os erros e acertos da Microsoft, e o comportamento geral do mercado.

Há muito tempo eu tenho estudado a fundo as notícias sobre a Microsoft, as táticas dos seus "concorrentes" e o FUD em geral sobre assuntos Windows x (qualquer outro SO) e Microsoft x (outra empresa).

Eu não trabalho na Microsoft e não recebo absolutamente nada deles postar aqui. Há muitos anos eu defendo o Windows, a Microsoft ou o PC quando eu vejo que há críticas injustificadas contra eles ou quando há muito FUD e pouca realidade nos argumentos apresentados - algo bastante comum, infelizmente.

A declaração de Gates que você citou é totalmente distorcida fora do ambiente aonde ela foi dita. A pirataria na China atingia níveis absurdos de 98% e não havia maneira de impedir isso. Ao saber disso, Gates não teve outra escolha, a não ser tolerar a pirataria e dar preferência aos seus produtos, como qualquer outro empresário faria. Se ele tivesse utilizado "prática de traficante", alegada por você, ele teria *incentivado* a pirataria para eventualmente ganhar com isso no futuro - algo que evidentemente jamais aconteceu.

Aliás, a sua referência à "prática de traficante" não faz muito sentido, pois isso nada mais é do que uma "amostra grátis", algo comum na indústria farmacêutica, cosméticos e principalmente na informática, através das versões trial de softwares. Exatamente aonde está a "prática de traficante" da Microsoft, se ela é absolutamente contra a pirataria (ou ela não teria investido $$$$ em sistemas de ativação e outras soluções para evitar isso) ?

A China é um caso bastante peculiar, pois independentemente da declaração de Gates e do Red Flag Linux (uma distro patrocinada pelo próprio governo Chinês), o Windows sempre dominou mais de 90% do mercado dali. A pirataria só começou a diminuir quando a Microsoft mudou de tática comercial naquele país, investindo em tecnologia, abrindo código-fonte do Windows e aplicando regras comerciais específicas para os chineses.

Eu não distorço nada: a Microsoft conquistou a China por mérito próprio depois de 15 anos de esforços (e não por uma "prática de traficante" que jamais existiu) e a CNN/Money publicou uma excelente reportagem sobre isso em http://money.cnn.com/magazines/fortune/fortune_archive/2007/07/23/100134488/

Em relação ao "monopólio" no Estado, isso é mais paranóia do que realidade, pois simplesmente não existe um único país no mundo que utilize Linux/Unix em todos os seus servidores e estações. É errado forçar o uso de programas open-source apenas por ideologia, quando outras soluções já foram implementadas e estão funcionando corretamente. A matéria de Veja foi clara e direta nessa abordagem. A Gartner também publicou que 80% dos computadores vendidos com Linux na América Latina, Ásia e Leste europeu acabam rodando Windows pirata (http://br-linux.org/noticias/003481.html).

O código aberto é um modelo que pode trazer muitos prejuízos ao país. Exemplo simples: uma empresa brasileira necessita desenvolver uma nova aplicação, mas sabe que existe uma aplicação similar com código aberto desenvolvida em outro país. Para quê a empresa vai contratar profissionais brasileiros para desenvolver a nova aplicação, se ela pode simplesmente utilizar algo que já está pronto, somente pagando para modificá-lo e traduzi-lo ? Neste caso há um desincentivo ao desenvolvimento de software nacional, além de não haver recolhimento de impostos sobre o trabalho que seria realizado.

Por fim, a Índia fatura anualmente US$ 36 bi em outsourcing, sendo US$ 7,2 bi em programação e desenvolvimento de software (em sua grande maioria p/ grandes corporações). Se esse código fosse aberto e disponível para todos, certamente o seu lucro seria muito menor, não havendo nenhuma vantagem em troca disso, pois o país perderia uma importante fonte de receita. A demagogia, a "liberdade do conhecimento" (que na prática independe do código ser aberto ou não) e a "sociedade da informação" pode custar bem caro para uma nação, se ela não trouxer vantagens reais para seus cidadãos.


BTW o Brasil poderia facilmente suplantar os indianos e paquistaneses nesse mercado, mas com um governo medíocre e desinteressado como o nosso, que queima dinheiro em nome da ideologia somente para trocar seis por meia dúzia, isso jamais acontecerá. É uma pena, pois nós merecíamos mais.

[]s

samadeu said...

Baboo, interessante o levantamento que fez para defender a micro$oft. Pelo que argumenta você defende ideologicamente o modelo de controle do conhecimento criado pelos dirigentes daquela companhia. Isto é muito interessante, pois a maioria dos defensores da m$ fazer isto por dinheiro. Mais interessante ainda é vê-lo militar em defesa desta causa, ou seja, defender o monopólio mundial de software para desktop e o modelo proprietário e concentrador de desenvolvimento de códigos. Existem causas mais relevantes que precisam de pessoas como você. Para ajudar a sua reflexão vou colocar algumas informações úteis:

1) No Livro O Mundo é Plano, o insuspeito jornalista Thomas Friedman deixa claro que o software aberto é uma das grandes forças econômicas. Depois de entrevistar Gates e seu intelectual de platão, Craig Mundie, afirma que a micro$oft tenta em vão conter o enorme potencial distributivo do modelo de código-fonte aberto.
2) No modelo proprietário, centrado no controle de conhecimento, países como o Brasil não têm a menor chance. No modelo baseado no compartilhamento do conhecimento temos condição de desenvolver. Além disso, no ambiente de rede colaborar é muitas vezes mais eficiente que competir. O especialista em patentes e copyright, Peter Drahos tem um gigantesco levantamento sobre o quanto é nefasto para os países em desenvolvimento o modelo "microp$oft". É indispensável a leitura do livro "Information Feudalism: who Owns the knowledge economy?"
3) Baboo, seu argumento sobre a pirataria é ingênuo. É a pirataria de software que mantém a micro$oft como monopólio. Aliás, vc pagou pela licença do Office que usa em sua casa? Nem 2% dos usuários residenciais pagam pela suite de escritório. A micro$oft vive da cobrança de licenças dos governos (30% do seu faturamento) e das empresas ou pessoas jurídicas. A ABES é usada para garantir as multas às companhias que utilizam software da micro$oft sem licença. A m$ nunca dependeu da cobrança de licenças do usuário residencial. Ela quer mais é que ele continue utilizando seu produto, pois isto reduz custos de treinamento e asseguram uma massa crítica de usuários.
4) A micro$oft não abre o código fonte do windows porque ele é muito ruim. Abrir o código não tem nada a ver com pirataria. Basta vc observar que o windows e o Office são softwares muito pirateados e eles não trazem seus códigos fonte abertos.
5) Leia o livro a Economia da Informação, de Carl Shapiro e Hall Varian. Nele, vc verá que todas as táticas de aprisionamento, inclusive a de traficante, descritas, não por mim, mas pelos dois grandes economistas. Vou postar só um pequeno trecho para incentivá-lo a ler: "Um modo de lidar com a alternância compatibilidade/desempenho é oferecer a compatibilidade de mão única. Qdo a micro$oft ofereceu o Office 97 como ampliação do Office 95, ela projetou os formatos de arquivos do Office 97 para serem incompatíveis com os formatos do Office 95. O Word 97 podia ler os arquivos do Word 95, mas o contrário não era possível".

Sabe como isto se chama? Podemos denominar de "estratégia de açambarcamento" ou seja, gerar incompatibilidades propositais. Em breve, postarei para você um outro trecho do mesmo livro que fala sobre a estratégia de aprisionamento (quando literalmente descreve o que é uma ação típica de tarficantes).

6) Por fim, leia o que o Premio Nobel de Economia Joseph Stiglitz escreveu no seu depoimento sobre o papel economicamente nefasto para a concorrência e para a inovação. Stiglitz tem uma longa e clara argumentação na ação em que a micro$oft foi condenada nos Estados Unidos. Apesar da condenação, a m$ não foi punida como tantos outros monopólios, pois Gates foi um dos maiores financiadores de George W. Bush. Eleito, Bush salvou a m$.

Baboo said...

Oi Sérgio, tudo bem ?

Eu não estou defendendo nenhum monopólio nem "modelo de controle", mas sim argumentando que a sua visão sobre a Microsoft é bastante distorcida.

1) Ao invés de vc citar livros e filosofias, eu recomendo vc ler http://www.meiobit.com/artigo/coisas_que_quase_ningu_m_sabe_sobre_microsoft. aonde ali mostra que o governo e empresas têm acesso ao código-fonte do Windows (ao contrário do que vc alega), que as licenças de código fonte aberto da Microsoft permitem que você manipule o código fonte à vontade, gerando novos produtos de código fonte fechado e proprietário se assim desejar (ao contrário da GPL), que a Microsoft possui sua própria licença de código fonte aberto aprovada oficialmente pelo OSI Board, e muito mais...

2) Ao contrário do que vc defende, o Brasil tem sim chance de lucrar muito com o "controle do conhecimento". A Índia é um exemplo disso, pois ela lucra mais de R$ 12 bilhões por ano criando código e prestando serviço de desenvolvimento para empresas do resto do mundo. Esse exemplo real derruba qualquer demagogia contra as vantagens do código fechado para a sociedade em geral.

3) O que mantém a Microsoft como líder de mercado não é a pirataria, mas sim a ausência de competidores à altura. O Linux copiou descaradamente o visual do Windows justamente para permitir que o usuário do Windows se sinta mais "à vontade" ao usá-lo - e mesmo ele sendo gratuito, ele é um total fiasco como desktop. E isso não tem nada a ver com "monopólio", pois nada impede que qualquer um desinstale o Windows e instalar o Linux em seus computadores..

4) Se a Microsoft apoiasse a pirataria, porque ela investiu $$$$ em sistema de ativação nos seus produtos ?

5) Você erra duplamente ao afirmar que a Microsoft não abriu o código do Windows e do Office: os governos têm acesso ao código-fonte deles através do Government Security Program. Leia mais em http://www.microsoft.com/resources/sharedsource/Licensing/GSP.mspx.

6) Reclamar que usuários do Office 95 não podiam ler arquivos do Office 97 é o mesmo que reclamar que um acessório de um carro de 1997 não funciona no mesmo modelo fabricado em 1995. Incompatibilidade é comum em qualquer área do mercado e pode ser necessário quando a tecnologia avança. No caso dos usuários do Office 95, eles podiam ler e salvar arquivos no formato do Office 97 e Office 2000 bastando instalar o update em http://office.microsoft.com/en-us/downloads/CD010226241033.aspx?ofcresset=1.

Aliás, a Microsoft publicou recentemente as especificações de arquivos do Office (http://www.baboo.com.br/absolutenm/templates/content.asp?articleid=31425&zoneid=221), além de centenas de APIs do Windows, Office e outras aplicações (http://www.baboo.com.br/absolutenm/templates/content.asp?articleid=31457&zoneid=221). Agora finalmente a comunidade aberta pode criar programas à altura do Office ;)

7) Você erra novamente em afirmar que a Microsoft foi um dos maiores financiadores de George W. Bush. Bush arrecadou pouco mais de $194 milhões em sua campanha (http://www.politicalbase.com/people/george-w-bush/15308/money/), sendo que Bill Gates e Steve Ballmer doaram juntos US$ 4 mil para Bush. Isso significa 0,002% do total.

Como vc vê acima, muitos fatos reais derrubam a sua visão antiquada e retrógrada da Microsoft. Talvez vc esteja lendo livros demais e esquecendo de acompanhar o que ocorre no mundo real ;)


[]s

samadeu said...

Seu último post é muito esclarecedor.
Baboo, você se desqualidica ao chamar os economistas Shapiro, Varian e Stiglitz de descolados da realidade. Eles fazem análises empíricas, centradas em fatos, a maioria delas científicas. Leio tudo que vc me recomenda, mas venhamos e convenhamos, querer comparar artigos patrocinados pela micr$oft com textos do nível de um Fredman é sim perder a noção de realidade.
Segundo, você está cada vez mais contraditório. O modelo de código aberto é o paradigma do software livre. Quando um paradigma começa a ruir e a ser destruído, em geral, ela assume elementos centrais daquele modelo que irá substituí-lo. É o que acontece com a micro$oft. Ela teve que se render a superioridade das práticas colaborativas.
No cenário digital, um software fechado é por definição inseguro. A micro$oft esperneou, mas começou a abrir partes de seu gigantesco e confuso código-fonte, na tentativa de se manter.
Você e o Balman que atacaram muito o código aberto, como ficam agora com as declarações da m$?
Seu nível de contradição aumenta. Pense sobre o que vc escreveu: "o Brasil tem sim chance de lucrar muito com o 'controle do conhecimento'". O controle se dá pelo fechamento do código fonte. Mas vc acaba de se vangloriar (com textos de propaganda e divulgação da micro$oft) que a micro$oft abrirá o código.
Defender um monopólio do conhecimento é bastante equivocado. A ciência avançou rapidamente, exatamente porque ela se baseia no compartilhamento do conhecimento. A lógica do software livre é a mesma da ciência. O que é bom precisa ser melhorado. Não se deve inventar a roda a todo instante. Sua defesa do modelo da m$ é nefasta para a invenção e para a inovação.
Baboo, vc deve ler mais. Leia Stiglitz, Drahos, Friedman. Eles não são contra a micro$oft. Eles apenas mostram a realidade. Por fim, vc deveria ler os reports corretos sobre a primeira eleição do Bush. Gates foi um dos pirncipais apoiadores. Veja o filme do Michel Moore. Será que todos que não sejam assalariados da micro$oft não são confiáveis? É claro que não. Você disse que defende o monopólio de software para desktop, não por dinheiro. Mas isto é extremamente contraditório, pois vc trabalha de graça para uma companhia que só visa o lucro? Estranho. Vc deveria cobrar deles. Vc é melhor que muitos dos evangelizadores pagos por Redmond. Vc merece ganhar pela defesa ideológica de uma companhia monopolista. É inusitado. De minha parte, prefiro continuar trabalhando na defesa do compartilhamento do conhecimento e das práticas colaborativas.

Baboo said...

Sérgio, pergunte para o Shapiro, Varian e Stiglitz o que eles acham de um país de terceiro mundo doar software gratuito para os seus países vizinhos, deixando de ganhar dinheiro com isso unicamente por causa de uma ideologia barata e frases como "defesa do compartilhamento do conhecimento e das práticas colaborativas".

Depois pergunte para eles se a Índia deveria abraçar o software livre e deixar de lucrar US$ 12 bi por ano com o desenvolvimento de código fechado em prol do "compartilhamento do conhecimento e das práticas colaborativas". Quem sabe esse dinheiro que entra na economia indiana deveria dar espaço a um vácuo econômico criado pelo "compartilhamento do conhecimento e das práticas colaborativas" que vc tanto defende.

Eu postei diversos links mostrando que o uso do código-aberto trouxe prejuízos para o país, mas vc continua respondendo com teorias e livros para eu ler. Eu prefiro ler os jornais, pois eles mostram o mundo real, ao invés de ler teorias sem fundamento, como a sua alegação que "um software fechado é por definição inseguro". O IIS é um ótimo exemplo de um software fechado que massacra o seu concorrente aberto (Apache) em termos de segurança, acabando com a sua retórica pró-software livre.

O código aberto e o fechado têm suas vantagens e desvantagens, e ao menos a Microsoft tenta aproveitar o melhor de ambos. Eu vejo que você só enumera desvantagens no modelo de código fechado, além de tratar a Microsoft de modo retrógrado e infantil ("micro$oft" é coisa de adolescente).

Eu defendo o Windows e a Microsoft quando há críticas sem muito fundamento. A Microsoft pode ter sido considerada monopólio nos EUA, mas ela aprendeu com isso e esse fato não desqualifica as vantagens que ela trouxe para a sociedade como um todo.

Como eu disse anteriormente, se nem de graça as pessoas querem usam Linux hoje em dia, não culpe a Microsoft por ter um produto muito melhor ou por ela ter sido considerada "monopólio" no século passado.

Hoje em dia a IBM é uma das maiores defensoras do software livre, e mesmo assim é uma das maiores compradoras de licenças de Windows. Certamente ela não está sendo obrigada a isso por causa do "monopólio".

Continue trabalhando na "defesa do compartilhamento do conhecimento e das práticas colaborativas", mas não tenha uma mente tão fechada e visão limitada quando o assunto é Microsoft..

[]s

Marco said...

[i]"O IIS é um ótimo exemplo de um software fechado que massacra o seu concorrente aberto (Apache) em termos de segurança, acabando com a sua retórica pró-software livre."[/i]

Um viva a isso. Mas não é o que parece ocorrer ultimamente.