Monday, October 29, 2007

CULTURA E PENSAMENTO ...


Esta entrevista esta publicada no portal do CULTURA E PENSAMENTO
http://www.cultura.gov.br/programas_e_acoes/cultura_e_pensamento/noticias/index.php?p=30829&more=1&c=1&pb=1


ALéM DAS REDES DE COLABORAçãO

Sérgio Amadeu, curador e debatedor do evento, comenta os resultados dos debates realizados em Porto Alegre.

A primeira etapa do Seminário 'Além das Redes de Colaboração: diversidade cultural e as tecnologias do poder' aconteceu em Porto Alegre, entre 15 e 18 de outubro, com transmissão ao vivo pela internet através da TV Software Livre, e com possibilidade de interação via chat.

Sérgio Amadeu*, curador do seminário, comenta os resultados dos debates que discutiram aspectos do cenário cibercultural. Confira:

Qual a sua avaliação acerca da primeira etapa do seminário, realizada em Porto Alegre?

Considero que a primeira etapa do Ciclo Além das Redes foi excelente. Além do público local, tivemos quase duas centenas de pessoas que acompanharam as exposições pela web TV. As exposições dos debatedores permitiram iniciar uma decodificação dos processos que emergem de uma sociedade cada vez mais hipermediatizada, onde emergem conflitos e contradições definidores do nosso futuro.


Considerando as impressões resultantes dos debates em Porto Alegre, que perspectivas você aponta para as possíveis transformações culturais e sociais?

O que os debates permitiram perceber é que existe um jogo de forças complexo no cenário cibercultural. As possibilidades de ampliação da diversidade cultural nas redes informacionais se chocam com as tendências mais gerais da sociedade de controle e do capitalismo cognitivo. A liberdade de criação e do conhecimento está sendo exercida por inúmeros coletivos de ativistas, com resultados fantásticos que vão do software livre à wikipedia, passando pelo movimento creative commons, mas, ao mesmo tempo, a velha indústria cultural quer submeter as redes a sua lógica hierárquica e a seu controle. Os debates em Porto Alegre confirmam que a questão da propriedade intelectual é derradeira para entender o mundo que vivemos, bem como, para imaginarmos como será o futuro. A educação, a ciência e a cultura estão vivendo um processo de privatização, de apropriação privada, de ultra-mercantilização, de destruição de sua base comum. Simultaneamente, estamos vendo que as forças de resistência e os defensores de uma cultura livre estão ganhando terreno em todo o planeta. Estes têm a seu favor, a vantagem da Internet ter sido construída fora do controle do capital e dos grandes grupos. As transformações sociais serão resultado destes embate deste jogo de forças.


Quais as expectativas para a próxima etapa do seminário (em Natal-RN)?

Acredito que o seminário em Natal permitirá aprofundar as questões e articulações de temas iniciado em Porto Alegre. Penso que ficou mais claro a relação entre as forças que querem controlar as formas de reprodução da vida, como no caso dos transgênicos, e as forças que querem consolidar um modelo de tecnologia fechada. O conhecimento é a chave de uma sociedade mediada por códigos. Acho que em Natal, poderemos mostrar que a liberdade para o conhecimento exige a transparência dos códigos de comunicação. Isto será cada vez mais uma questão de cidadania, da defesa dos direitos a ter direitos em um mundo digital. Penso também que o debate sobre o futuro da esfera pública terá grande relevância no resultado final deste ciclo. O material, textos e imagens, resultantes do ciclo será de grande valia e permitirá que o debate continue nas escolas, pontos de cultura e telecentros. Acho que a Casa de Cinema está realizando um trabalho fantástico que dará uma grande qualidade para nossas produções audiovisuais.


Saiba mais sobre o evento e confira a programação completa do seminário em Natal/RN, que acontece entre 7 e 10 de novembro.

2 comments:

Isaac Filho said...

Muito bom o Seminário, é uma pena a minha impossibilidade de ir.

Abraços

Anonymous said...

Sou fã do software livre mas a reclamação que eu tenho a fazer é sobre o apoio que os senhores dão a Wikipédia. Já fui insultado naquele site covardemente por administradores anônimos e acho que a Wikipédia não merece esse crédito da comunidade. Acho o nível da Wikipédia extremante baixo e antiético para receber tanto crédito dos senhores. Acredito que os senhores deveriam rever seus apoios, pois o desrespeito ao ser humano é uma coisa comum cometida pelos administradores anônimos e irresponsáveis da Wikipédia. Realmente como fã da 'cultura livre" fico revoltado com o apoio que a comunidade dá a Wikipédia, pois a Wikipédia é uma mancha no movimento.