Monday, February 04, 2008

POR QUE A PROIBIÇÃO DA COMERCIALIZAÇÃO DO COUNTER-STRIKE VIOLA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E CRIAÇÃO?

Um anônimo alertou-me sobre alguns erros ortográficos e gramaticais contidos no post que fiz sobre a proibição da comercialização do CounterStrike e EverQuest (Obrigado!). Depois de dizer que doutores não poderiam cometer erros e criticar a Academia brasileira, escreveu algo muito interessante. O leitor (a) disse que a "liberdade de expressão" não está ferida, "mas sim a liberdade invididual de jogar, mesmo". Segundo o leitor (a) "Jogar não é uma "expressão", é uma "ação". É como o direito de ir-e-vir (pra ficar num exemplo simples e compreensível)".

Sem dúvida, o direito de escolha e de ação também está sendo violado. A decisão judicial afeta o direito do jogador, mas ataca principalmente o direito do criador. Ela impede que jogos do mesmo estilo sejam comercializados ou divulgados. Nesse sentido, a decisão impede a liberdade de criação e expressão. Ela afeta os criadores, roteiristas e desenvolvedores de games.

Os fundamentos da decisão judicial sobre o Counter-Strike e EverQuest (JFMG 2002.38.00.046529-6) são preocupantes, pois baseiam-se numa decisão anterior que proibiu a comercialização dos jogos DOOM, POSTAL, MORTAL KOMBAT, REQUIEM, BLOOD e DUKE NUKEN. Caso estes fundamentos não sejam contestados, eles poderão construir uma jurisprudência que viola a liberdade de criação, portanto, de expressão. O mais grave é que os argumentos do Juiz poderão ser aplicados em quaisquer áreas da criação. Com eles, não poderemos criar nada que tenha um estilo próximo aos filmes de Quentin Tarantino.

Assim, não é somente o direito de jogar que está sendo afetado, mas principalmente a liberdade de criação. E, por que? Porque alguém acredita que existe uma relação entre games e violência. Entretanto, inexiste qualquer comprovação empírica desta suposição. Trata-se de puro preconceito.

4 comments:

Ataliba Neto said...

Enquanto se proibi jogos eletrônicos que "estimulam a violência", *crianças* do Rio de Janeiro usam pistolas e fuzis. O que esses juízes fazem pra combater a real violência? Sabe porquê eles atacam os jogos eletrônicos e não violência do mundo real?

1 - Porque dá notoriedade na mídia.
2 - Porque é mais fácil proibir um jogo eletrônico do que tomar fuzil de pessoas criminosas.
3 - Porque eles não vão conseguir inibir a violência no mundo real.
4 - Porque não vamos utilizar a violência para revidar.

Atitudes como essa incentivam a pirataria, pois uma coisa é certa, ninguém vai parar de jogar CS porque é proibido.

PS: Sou jogador de CS a mais de 3 anos e nunca briguei fisicamente com ninguém e muito menos dei um tiro com arma de fogo.

Proibir esses jogos é uma falta de respeito.

Anonymous said...

http://www.mediawatch.org.uk/

Visite o link!

Eu Soul Master said...

Essa decisão, assim como a proibição do Doom ou Duke Nuken é medíocre, provavelmente fruto de algum político idiota, careta e retrógado que viu seu filho jogando e não gostou, babaquice pura! Mas isso nunca impediu ninguém jogar. A questão é: porque não proibem o Jedi Knight, o Battlefield e outros jogos semelhantes? Porque os caras são tão ignorantes que nem sabem o que tá se passando. Mas não acho que isso vá afetar a criatividade da galera, a medida que um jogo é proibido, novos mods surgem, e como eles vão proibir agente de baixar o jogo na web...? Nunca!

Anonymous said...

Na verdade a sociedade, através dos mecanismos jurídicos, querem transferir sua falta de relacionamento/diálog com os seus filhos ao estado, quando lhe convém é claro! É interessante com a nossa medíocre, medieval e oligárquica sociedade transferem os seus deveres a outrem, esquecendo-se que são os causadores dos próprios momentos sociais.


Yacamim Teçá