Wednesday, April 02, 2008

GUERRA DOS PADRÕES NÃO ESTÁ NO TERRENO TÉCNICO. A ISO APROVA UM ARRANJO DO MONOPÓLIO COMO PADRÃO MUNDIAL.



Bush e os diplomatas da micro$oft atuaram para inverter o posicionamento técnico do Japão e da Inglaterra. Países pobres, aprisionados pelas promessas de licenças gratuitas e doações em dinheiro do monopólio mundial de software, votaram com o monopólio. Os ténicos norte-americanos, na primeira votação ocorrida no ano passado, haviam decidido rejeitar o arranjo inoperável chamado Open XML, OOXML. Mas o governo norte-americano interferiu na decisão, pois a administração Bush defende a manutenção do poder de aprisonamento da micro$oft sobre os demais países.

Como eu havia alertado para muitos defensores da qualidade técnica e da interoperabilidade, a decisão sobre padrões deveria ser técnica, mas não é! Se fosse, jamais a ISO aprovaria um padrão que tem mais de 5 mil linhas de códigos, muitas delas definidas como impróprias para o uso pela própria micro$oft. Mas, a ISO foi capturada pelo monopólio e seguirá daqui prá frente uma rota lamentavelmente descendente.

Se a decisão fosse técnica, países asiáticos jamais poderiam considerar como padrão internacional um arranjo que não suporta línguas orientais. Mas o Paquistão, Azerbaijão, Siria e Arábia Saudita votaram com a micro$oft contra sua própria cultura.

A Guerra de padrões é, antes de mais nada, uma disputa econômica e de política tecnológica. Está em jogo, a autonomia tecnológica e a capacidade de desenvolvimento. Por isso, o Brasil, a Índia, a China e a África do Sul votaram claramente NÃO ao OOXML.

O que deve ter acontecido para que tantos comitês técnicos desconsiderassem as mais de 40 objeções que o Brasil levantou contra o padrão OOXML? O brilhante e rigoroso trabalho técnico do Jomar Silva e da equipe brasileira serviu para demonstrar, infelizmente, que nos comitês de padronização a micro$oft sempre tentará fazer valer o seu poder econômico.

Temos agora que tomar cuidado, pois o monopólio tentará atrasar a implementação da ODF no país. No fundo, o monopólio lançou o OOXML para evitar que houvesse concorrência dentro de um mesmo padrão. O monopólio sabe que o OOXML é praticamente inaplicável fora dos produtos da própria micro$oft. É um arranjo absurdo, no qual você tem que implementar até mesmo um erro de data para que sua aplicação funcione corretamente. Não é por menos que a notícia da aprovação do OOXML foi divulgada ontem no Brasil. Sim, ontem, dia 1 de Abril. O dia do OOXML.

9 comments:

Consternado said...
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Isaac Filho said...

Eu quando li esta notícia pelos sites afora, quis acreditar que era mentira de primeiro de abril.
Infelizmente, descobri que era verdade.

Isso nos mostra mais uma vez o poder manipulativo (tão visível) que as grandes corporações têm.

Nos resta lutar, resistindo. Mantendo nós, o nosso padrão. Espero que algumas instituições que andam investindo em SL, não voltem para trás.

Abraços
Isaac Filho

FabioCosta said...

É realmente triste. Como eu resumo no meu blog, a Microsoft Ganha, e todos perdemos.

Carlos Barbosa said...

Poucas são as guerras que são decididas em apenas uma batalha.

Perdemos uma batalha, mas não perdemos a guerra. Apesar de o inimigo não respeitar a convenção de Genebra para as guerras, vamos reorganizar nosso exército e nos preparar para uma guerra longa.

Uma batalha que está por vir é a aprovação do projeto de lei do deputado Paulo Teixeira.

Teremos que nos mobilizar muito, pois sabemos que a nossa sociedade, em sua grande maioria, desconhece essa nossa luta e, muitos que conhecem, são indiferentes a ela.

É importante que o projeto seja aprovado; mas não será fácil. Se o monopólio conseguiu subjugar várias nações do mundo inteiro, muito mais fácil será subjugar o nosso "impoluto" congresso nacional.

Sigamos em frente.

Marcos A.T. Silva said...

Foi realmente lamentável o ocorrido.

Mas, de qualquer forma, o melhor que se tem a fazer agora é divulgar o "concorrente" ODF, e fazer com que cada vez mais pessoas saibam que este, sim, é totalmente livre, superior ao ooxml e de muito mais fácil implementação.

Acredito que o próprio tempo fará com que o ooxml seja relegado ao limbo ou, então, seja apenas mais um padrão em utilização apenas nos produtos da própria Microsoft.

Mas que essa notícia foi triste, isso foi, principalmente por sabermos agora, indiretamente, que muita coisa "estranha" (para não dizer outras palavras) rolou na ISO, na ABNT e, principalmente, por tomarmos conhecimento de que, mais uma vez, venceu o "poder econômico", e não a verdade e nem tampouco a superioridade de um padrão como o ODF.

Lamentável. :(

Rubens said...

Olá Sergio! parabens pelo seu blog!
Bom, participe do site sobre politica que estou montando. O endereço é www.elegendo.com.br .
Qualquer dúvida só me mandar e-mail.
Obrigado!

Anonymous said...

O Marcos disse,

"Mas, de qualquer forma, o melhor que se tem a fazer agora é divulgar o "concorrente" ODF, e fazer com que cada vez mais pessoas saibam que este, sim, é totalmente livre, superior ao ooxml e de muito mais fácil implementação."

Humm, mais fácil implementação? Fora da esfera do mesmo codebase quantas implementações tens com fidelidade total na representação dos documentos?

Para um standard com quase 2 anos... não estou a ver a adopção, e ainda bem que é mais fácil de implementar e tão completo senão...

Baboo said...

Cadê a "liberdade de escolha" que vcs tanto defendem, se vocês querem que o ODF monopolize o padrão de formatos ?

Quanta hipocrisia, hein pessoal ? ;)

hogwartslinux said...

@Anônimo:

Humm, mais fácil implementação? Fora da esfera do mesmo codebase quantas implementações tens com fidelidade total na representação dos documentos?

Para um standard com quase 2 anos... não estou a ver a adopção, e ainda bem que é mais fácil de implementar e tão completo senão...

O KOffice utiliza um filtro específico, ainda que tenha se baseado no codebase do OpenOffice.org. O Google implementou no Google Docs um codebase baseado em Java. Além disso, se você pesquisar na Net, verá que existem bibliotecas para (pelo menos) PHP, Perl, Python e Ruby que implementam o ODF. Existe também codebases baseados em C++ . Todos esses codebases são desenvolvidos e mantidos por terceiros.

A pergunta é: quantos codebases do OOXML são mantidos por terceiros? Porque, até onde sei, atualmente só existe dois codebases para OOXML: o OOXML Toolkit da Microsoft e o filtro mantido pela Novell.

@baboo:

O problema do OOXML é que ele é cheio de artefatos de implementação (como é que o Word 95 faz a hifenização automática? Você consegue descrever?). Ou seja, como construir um aplicativo precisando implementar algoritmos de um outro software ao qual não se tem acesso?