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Wednesday, October 22, 2008

O PEQUENO LUCAS E SEU OFURÔ


Este é o pequenino Lucas, com seus quatro dias de vida, tomando banho em seu balde-ofurô


Foi o Cacá, seu neonatologista, que me ensinou a dar este banho. Tive um pouco de receio, mas fui me ajeitando e o pequenino Lucas pode relaxar por 20 minutos com uma cara de felicidade eletrizante.



Bom, quem é Lucas? Meu filho que nasceu no sábado, às 00h50, ainda prematuro. Sai do Encontro de Professores de Jornalismo, na Cásper Líbero, logo que encerrei uma exposição sobre os impactos do digital na comunicação. Liguei e não encontrei ninguém em casa. Fiquei desconfiado. Em seguida, recebi uma ligação da Bianca. Ela respirava forte e me disse que estava no São Luiz. Tinha ido direto, sem pegar nada em casa. Disse que tinha começado o trabalho de parto.


Fui voando para casa e no caminho encontrei meus amigos, Irineu, Mariel e Mariana, que se juntaram a minha irmã Maria Lúcia na "Operação Rebento". Liguei várias vezes para minha filha, Bruna, que devia estar na balada. Minha ex-mulher, Stella Bruna, me ajudou a localizá-la. Ela veio voando para a Maternidade. Conseguiu chegar a tempo de participar do parto do seu irmãozinho.


Esta é a Bruna ao sair da sala de parto para avisar que Lucas nasceu pequenino, mas calmo e decidido. Contou emocionada que cortou o cordão umbilical quando ele parou de pulsar. Tive vontade de chorar...


A mãe da Bianca, avó do Lucas segurou a filha que agachada deu a luz em um parto rápido e muito natural. Não consegui tirar foto da Dra Andrea, da Ana Cris, parteira, e da Cris, doula, que garantiram que tudo tenha ocorrido tão bem. Essas guerreiras são do GAMA (http://www.maternidadeativa.com.br/), Grupo de Apoio a Maternidade Ativa. Parto não é doença, não devia ser feito no hospital, a não ser em casos de risco. O Lucas nasceria em casa, mas como não queria esperar completar nove meses de gestação, a equipe do Gama aconselhou Bianca a parir no hospital.


Quero declarar que o Lucas não gostou de ficar longe de casa. No domingo à noite, depois da equipe do Hospital nos alertar que se Lucas perdesse muito peso iriam dar nanon, leite artificial, para o pequenino. Bianca achou que eles exageraram e chamou pelo Cacá, neonatologista que participa do Gama. O Cacá veio, me ensinou várias posições para deixar o Lucas confortável, destruiu diversos mitos que eu carregava comigo sobre recém-nescidos, aplacou o stress e deu alta às 22h30, para mãe e filho. Com a ajuda de muitas pessoas pegamos as flores, presentes, sacolas e fomos para casa.

Triste foi descobrir que muitas mães desesperadas, ao perceberem que a criancinha ainda não aprendeu amamentar acabam dando leite artificial para seu filho, aceitando a pressão de médicos que deveriam dizer a história toda para a mãe. Nada é melhor do que leite materno nos primeiros meses de vida. Nada. A criancinha tem que aprender a sugar, a mamar, a mãe precisa estimular com a sucção do bebê a produção de seu leite. Nanon pode por tudo isto a perder. A mãe da Lu, Dra Maria Isabel, foi quem já no sábado, algumas horas depois do nascimento, começou a ensinar o Lucas a sugar. Ela disse que seria um aprendizado e que poderia exigir um pouco de paciência, mas que ele poderia aprender rápido. Foi o que aconteceu. A Dra Maria Isabel será a pediatra do Lucas.

Outra coisa que descobri: mais de 90% dos partos em hospitais particulares, em São Paulo, são cesarianas. Cortam as mulheres por comodidade, por pressa de atender na hora marcada, não por necessidade de uma gravidez complicada, não para salvar vidas. Transformaram o ato de nascer em um ato médico. O homem torna-se cada vez mais um animal pós-humano. A mãe detonada e o filho retirado de sobressalto com hora marcada. Uma pena. Minha irmã me contou que iria fazer cesariana, mas encontrou uma boa médica que disse não ser o melhor caminho. Infelizmente, a maioria não age assim. A Organização Mundial de Saúde tem denunciado o abuso das cesarianas no Brasil.

Eu vi, duas horas após o Lucas nascer, a Bianca andando feliz e recebendo amigas e amigos que ficaram sabendo do nascimento do Lucas e partiram da balada, às 3h30, para a Maternidade. Queria declarar que fiquei fã do pessoal do Gama e do parto humanizado.

Vida Longa ao Lucas, libriano com ascendente em Câncer.