Showing posts with label literatura. Show all posts
Showing posts with label literatura. Show all posts

Wednesday, February 27, 2008

MAPA FANSTASMA: UMA LEITURA ESSENCIAL.


Steven Johnson, remomado divulgador do conhecimento científico, autor de Emergência, lançou recentemente no Brasil, o livro Mapa Fantasma pela Jorge Zahar Editora. Johnson fez uma palestra no Campus Party na segunda semana de fevereiro, autografou livros e participou de um Roda Viva da TV Cultura.

Comecei a ler o livro. É espetacular. Ele consegue prender nossa atenção e conduzir o leitor por um tema nada fácil, o mundo dos microorganismos. O Mapa Fantasma fala da epidemia de cólera que ocorreu em Londres no final de agosto de 1854. Mais de 500 pessoas morreram em pouco mais de dez dias. Os médicos e autoridades desconheciam as causas da doença. Johnson vai contando como dois homens começaram a mudar a história da medicina e das cidades em sua luta comtra a bactéria devastadora.

A disseminação em rede e os mecanismos de inteligência coletiva da bactéria letal era para os cientistas tão plausível "como as fadas". Não era simplesmente a podridão dos ambientes, a sujeira ou o ar podre que reproduziam a doença. Era preciso que as pessoas ingerissem dejetos humanos contaminados. Johnson reproduz o clima da época, retoma artigos de jornais, descrições alarmantes e conta o trabalho minucioso de um médico e um padre. De fato, é difícil parar de ler.

Saturday, December 08, 2007

PRATAS DA CASA ...


Encontrei em uma coletânea de crônicas (Boa Companhia, organizada pelo Humberto Werneck) um texto do Antonio Prata chamado "Bar ruim é lindo, bicho". É de morrer de rir, não sem criar uma estranha sensação. É uma crítica cômica e, por isso, profunda. Depois li uma crônica do pai do Antonio, o Mário. Que coisa! O Mário Prata joga com as palavras como um craque fazendo embaixadas, mas em nenhum momento dá a impressão que a bola vai cair. Os toques são leves, seguros, instigantes. Bom, resolvi compartilhar dois trechos pequeninos das crônicas dos Prata, pai e filho. Vou começar pelo filho:

"Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso frequento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinquenta anos. (Deve ter alguma coisa errada com uma vanguarda de mais de cento e cinquenta anos, mas tudo bem.)" (Antonio Prata)

Agora, o pai:

"Acordei e estava um verdadeiro calor senegalês. Depois de tomar uma boa ducha escocesa, quase dormitar num banho turco, fazer minha ginástica sueca, passar minha água de colônia, vesti o meu terno azul-turquesa de casimira inglesa (que fora um presente de grego de uma amante argentina), cuidei do meu pastor alemão, do pequinês, do dinamarquês, do meu gato siamês e, com pontualidade britânica, deslizando sobre o tapete persa, saí para fazer um negócio da China." (Mário Prata, Prá lá de Marrakesh)