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Monday, February 16, 2009

CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO


Durante o Fórum Social Mundial realizado no final de janeiro, em Belém, o presidente Lula defendeu a idéia de uma Conferência Nacional de Comunicação. Reivindicação que surgiu em 2007, a Conferência é defendida pelas Comissões de Direitos Humanos e Minorias e de Ciência e Tecnologia, bem como, por diversas entidades da sociedade civil, entre elas, o Intervozes.

A nota oficial da Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação defende que seus objetivos sejam os seguintes:

1. Identificar os principais desafios relativos ao setor da comunicação no Brasil.
2. Fazer um balanço das ações do poder público na área.
3. Propor diretrizes para as políticas públicas de comunicação.
4. Apontar prioridades de ações governamentais dentro destas diretrizes.

Espero que, ao contrário do que aconteceu nos debates sobre a TV Digital no Brasil, dessa vez, os professores e estudantes da área de comunicação participem ativamente dessa conferência. Ela pode ser um espaço importante para avançarmos na democratização das comunicações e para construirmos um conjunto de direitos dos internautas contra as tentativas de controle totalitário e contra a criminalização da rede.

Um dos temas que buscarei divulgar é a necessidade do Espectro Aberto nas faixas de radiofrequência que serão devolvidas ao Estado quando se encerrar as transmissões de TV analógica. Com as tecnologias digitais poderemos ocupar estas faixas de modo comum, como uma grande via pública onde todos podem passar. As tecnologias digitais evitam a interferência e o ruído. Assim, podemos ter uma maior democratização do uso do espectro, seja para criarmos redes de conexão comunitária, seja para as rádios e TVs digitais livres.

Tuesday, June 10, 2008

RESOLUÇÃO DO TSE PROIBE USO DA INTERNET 48 HORAS ANTES DAS ELEIÇÕES. ONDE ESTÃO OS PARTIDOS QUE DEVERIAM DEFENDER A DEMOCRACIA?



Um dia antes das eleições, você pode receber uma carta pelo correio contendo as cédulas com o número do candidato. Você pode usar uma camiseta com o nome e o número de seu vereador no próprio dia da votação. Você pode ir ao comitê do seu candidato para pegar o número dele ou um folheto qualquer para levar para sua amiga ou amigo, também no dia do pleito.

Entretanto, os candidatos não podem manter seus sites no dia das eleições. Não pode deixar nada na rede. Veja o artigo 4o da RESOLUÇÃO No 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral:

Art. 4o É vedada, desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição, a veiculação de qualquer propaganda política na Internet, no rádio ou na televisão – incluídos, entre outros, as rádios comunitárias e os canais de televisão que operam em UHF, VHF e por assinatura –, e, ainda, a realização de comícios ou reuniões públicas (Código Eleitoral, art. 240, p. único).

Tenho alertado que o TSE está sendo muito mal orientado, pois está confundindo a Internet com TV e Rádio, ou seja, está tratando a rede como mass media. Este artigo deixa claro que o seu redator considera que a esfera pública interconectada é igual a esfera pública controlada pelas mídia de massas. Infelizmente, o Brasil avançado das eleições eletrônicas é o país que quer obscuramente restringir o uso da rede até para informações básicas aos eleitores.

O que o TSE espera ao proibir um site de permanecer na rede no dia das eleições? É ineficaz para coibir o poder econômico. Não evita boatos que podem ser lançados por anônimos ou perfis falsos na rede. Não garante esclarecimento algum ao eleitor. Não evita boca-de-urna presencial. O que ele quer? Evitar que se influencie os eleitores?

Mas a Internet não é broadcasting. O site não vai até você. Você vai até ele. Que mal há em um eleitor indeciso de visitar o site dos candidatos na véspera das eleições ou no dia da votação? Qual o problema de se consultar o programa do candidato um dia depois do pleito?

Sem dúvida, a rede democratizou a esfera pública, mas é preciso que as autoridades acompanhem o que está ocorrendo. O TSE precisa observar melhor os princípios que regem a comunicação de massas e a comunicação em rede. Para eles, dedico a frase de Douglas Rushkoff no texto Open Source Democracy: é preciso perceber como a comunicação online está mudando a política offline.

Wednesday, March 12, 2008

PUC lança curso de COMUNICAÇÃO E MOVIMENTOS SOCIAIS


Minha amiga Michelle Prazeres, mestre pela PUC e integrante do coletivo INTERVOZES, me enviou uma mensagem avisando que estão abertas as inscrições do curso de Extensão Comunicação e Movimentos Sociais: Formas de Articulação Política e de Mobilização Social na Sociedade Contemporânea.

Ele é uma realização do COGEAE. Começa no dia 26 de março e terá a duração de 30 horas. É dirigido ao pessoal da área de Comunicação e Ciências Humanas, em geral.

No site do COGEAE existe uma boa explanação. Aqui segue uma breve introdução: "O curso abordará a dinâmica de atuação dos movimentos sociais na civilização tecnológica midiática. A proposta central é a de refletir e compreender os processos de articulação da sociedade civil em fóruns e redes, como estratégias de articulação e mobilização e, em alguns aspectos, de luta pelo direito à comunicação."

Acesse a página do curso aqui.

Monday, September 24, 2007

PORQUE LUTAR PELO ESPECTRO ABERTO ou PELO USO COMUM DAS ONDAS DE RÁDIO.



Os governos do mundo têm impedido que as pessoas transmitam livremente suas mensagens usando as ondas de rádio, também conhecidas por ondas eletromagnéticas. Dizem que o espaço por onde estas ondas passam é escasso. Afirmam que o espaço é como uma rua estreita onde só pode passar um carro de cada vez. Este espaço, também conhecido como espectro radioelétrico, é dividido em frequências de transmissão.

No Brasil, a ditadura militar entregou o "filet mignon" dessas frequências de transmissão, por onde passam as ondas do rádio e das TVs, para seus apoiadores, entre eles, a Rede Globo. Ainda durante o regime militar surgiu no país, um movimento que contestava a ocupação anti-democrática do espaço ou espectro radioelétrico, conhecido como movimento das rádios livres que depois veio a ser chamado de rádios comunitárias. Denominadas de "piratas" pelo regime e pelas emissoras oficiais, estas rádios e TVs livres têm sido combatidas até mesmo no governo Lula. Por que?

Exatamente porque, a Anatel e as autoridades governamentais dizem que o espaço por onde passam as ondas de rádio é limitado e escasso. Quando duas transmissões tentam passar pela mesma frequência ocorreria a interferência e ninguém ouviria ou veria mais nada.

Mas, tudo isto que nos dizem sobre o espectro radioelétrico é um engodo.

Com o surgimento de trasnmissores e receptores digitais não existe mais a necessidade de uma única empresa ocupar exclusivamente uma frequência. A tecnologia digital permite evitar a interferência de uma transmissor em todos os outros. O ruído deixa de existir em um cenário digital.

Basta você ver como funcionam os celulares digitais. Quantas vezes não podemos notar dezenas de pessoas atandendo os celulares, ao mesmo tempo, sem nenhuma interferência de uns nos outros. Muitos deles estão usando a mesma frequência. Outro exemplo está nos aeroportos. Note que nos horários de pico, várias pessoas estão conectadas à Internet com seus laptops. Existe, em geral, uma pequena antena que consegue conectar entre 30 e 50 computadores usando a tecnologia wireless, ou seja, de conexão sem fio. Todos eles estão recebendo e enviando sinais usando as mesmas frequências. O download de um não interfere nem no download nem no upload dos outros. A rede pode ficar mais lenta quanto mais laptops se conectam nela, não devido as ondas de rádio, mas exatamente porque o sinal que é enviado pela fibra ótica da empresa telefônica até a antena é baixo.

Rádios digitais são operados por software e são inteligentes. Conseguem separar o sinal do ruído e podem encontrar exatamente seus receptores ou transmissores. Quando uma frequência estiver muito carregada os transmissores digitais podem mudar automaticamente de faixa e os receptores podem acompanhar sem problemas. Esta tecnologia já é empregada em vários locais do planeta e é chamada de Rádio Inteligente ou Rádio Operado por Software.

O que isto significa?

Que podemos lutar efetivamente pela democratização das comunicações. Esta luta passa pela defesa da existência de faixas de frequência no espectro radioelétrico que possam ser públicas, de uso comum, tal como as avenidas e ruas em que todos podem passar.

Não há nenhum impedimento técnico para transformar a ocupação do espectro de "uma área de capitanias hereditárias", de controle dos oligopólios da comunicação, em um espaço de todos que podemos chamar de espectro aberto. O avanço das tecnologias digitais permitem superar a situação em que somente alguns têm o direito de transmitir seus sinais e seus conteúdos pelas ondas do rádio e da TV. O bloqueio é político. As atuais emissoras obviamente não querem a concorrência dos produtores culturais das milhares de comunidades que compõem nossa diversidade cultural.

Um alerta é necessário.

No final do ano, as emissoras iniciarão as transmissões digitais do sinal de televisão. Como quase a totalidade dos brasileiros não possuem receptores de TV digitais, o governo exigiu que as emissoras continuem também as transmissões analógicas. Somente daqui há dez anos as transmissões analógicas serão desativadas. Quando isto acontecer, a pergunta que não quer calar é a seguinte: o que será feito com estas frequências que ficarão livres?

Obviamente, as mega empresas de radiodifusão tentarão continuar sendo dono destas frequências para ampliar seus negócios no cenário digital. Mas, isto é correto? Continuar a ocupação privada do espaço que poderia ser público?

Não! Devemos começar agora a lutar pelo espectro aberto. Queremos o direito de transmitir nossos conteúdos digitais sem intermediários. Tecnlogicamente o espaço radioelétrico pode ser uma espaço comum e uma via pública. Esta é uma luta pela direito real de expressão das nossas comunidades em um mundo digital, em uma sociedade em rede.

A luta pela democratização das comunicações passa agora pela luta pelo espectro aberto!