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Tuesday, May 05, 2009

ATO CONTRA O AI-5 DIGITAL


A Internet é uma rede de comunicação aberta e livre. Nela, podemos criar conteúdos, formatos e tecnologias sem a necessidade de autorização de nenhum governo ou corporação. A Internet democratizou o acesso a informação e tem assegurado práticas colaborativas extremamente
importantes para a diversidade cultural. A Internet é a maior expressão da era da informação.

A Internet reduziu as barreiras de entrada para se comunicar, para se disseminar mensagens. E isto incomoda grandes grupos econômicos e de intermediários da cultura. Por isso, se juntam para retirar da Internet as possibilidades de livre criação e de compartilhamento de bens culturais de de conhecimento.

Um projeto de lei do governo conservador de Sarkozi tentou bloquear as redes P2P na França e tornar suspeitos de prática criminosa todos os seus usuários. O projeto foi derrotado.

No Brasil, um projeto substitutivo sobre crimes na Internet aprovado e defendido pelo Senador Azeredo está para ser votado na Câmara de Deputados. Seu objetivo é criminalizar práticas cotidianas na Internet, tornar suspeitas as redes P2P, impedir a existência de redes abertas,
reforçar o DRM que impedirá o livre uso de aparelhos digitais. Entre outros absurdos, o projeto quer transformar os provedores de acesso em uma espécie de polícia privada. O projeto coloca em risco a privacida de dos internautas e, se aprovado, elevará o já elavado custo de comunicação no Brasil.

Gostaríamos de convidá-lo a participar do ato público que será realizado no dia 14 de maio, às 19h30, em defesa da
LIBERDADE NA INTERNET
CONTRA O VIGILANTISMO NA COMUNICAÇÃO EM REDE
CONTRA O PROJETO DE LEI SUBSTITUTIVO DO SENADOR AZEREDO

O Ato será na Assembléia Legislativa de São Paulo e será transmitido em streaming para todo o país pela web.

PLENÁRIO FRANCO MONTORO
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO
AV PEDRO ALVARES CABRAL S/N - IBIRAPUERA

O Ato também terá cobertura em tempo real pelo Twitter e pelo Facebook.

Contamos com a sua presença.

Tuesday, March 24, 2009

JOMAR SILVA ESCLARECE PORQUE O PROJETO DO SENADOR AZEREDO É INÓCUO CONTRA OS CRIMINOSOS


O TEXTO SEGUINTE É DO COORDENADOR DA ODF ALLIANCE E ESPECIALISTA EM SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO, JOMAR SILVA:

"Muito tem sido escrito e debatido sobre o projeto de Cibercrimes em discussão na câmara federal, e ás vezes tenho a impressão de que os defensores do projeto não fizeram ainda um exercício de realidade sobre o que estão propondo.

O PROJETO em discussão atualmente piora ainda mais o projeto original quando inclui o “provedor de conteúdo”, propondo a extensão de uma medida que vai ser extremamente onerosa, difícil de implementar e que dará margem a uma infinidade de irregularidades e abusos que todos nós já conhecemos. A exigência de cadastro (RG, filiação e etc) para todo e qualquer provedor de
acesso e de conteúdo pode até parecer uma grande ideia, mas na prática é uma iniciativa inócua e não sei a quem ela realmente interessa.

Para explicar a medida proposta de um jeito muito simples, vou transpor o que ela propõe para o “mundo real”, e vejamos se após esta comparação vocês ainda vão querer defender tal medida.
Os números da criminalidade no Brasil crescem de ano a ano, e tal como no mundo virtual, existem alguns casos onde a polícia pode fazer muito pouco pois é complicado descobrir (e provar) quem estava efetivamente em um local onde um crime foi cometido. Mesmo assim, ela faz seu trabalho de acordo com as condições legais existentes no Brasil hoje.

Se o projeto em discussão fosse apresentado para resolver o problema da criminalidade “no mundo real”, olha só o que ele iria propor (vou pegar apenas uma das propostas, ok ?):
“Todo comércio ou empresa (pessoa jurídica), prestadora de serviços de
acesso (ex. transporte público) ou conteúdo (bens e serviços em geral)
deverá manter durante três anos um histórico de todas as pessoas que
utilizaram seus serviços, registrando seu RG, filiação e outros dados que
permitam identificar os cidadãos.”

Na prática isso significa o seguinte:
Você sairá de casa pela manhã para trabalhar e o porteiro do seu prédio vai ter que anotar seus dados e registrar sua saída. Quando você entrar no bar para comer um “pão na chapa com pingado”, o seu Manoel da padaria vai ter que anotar seus dados também. Saindo da padaria, pegando um táxi (ou ônibus, trem, metro ou qualquer outro meio de transporte), o responsável por ele também vai anotar seus dados. Chegando no prédio onde trabalha, a portaria vai também registrar sua entrada, tal como a recepção da sua empresa.

E assim vai sendo o seu dia, com alguém anotando passo a passo tudo o que você fez, gerando uma infinidade de registros que permitirão acompanhar todos os seus passos, todos os dias da sua vida (e claro, armazenando tudo isso durante três anos, para evitar uma multa mais do que salgada).
Quando um crime qualquer for cometido, a polícia poderá requisitar todos estes registros e com base neles, encontrar o criminoso... será que vai funcionar mesmo ?

Será que o “criminoso”, sabendo que todos os seus passos serão anotados, vai utilizar o seus documentos verdadeiros no dia a dia ? Será que os transtornos que uma medida dessa irão causar, vão trazer com certeza algum ganho ? Será que uma sociedade que vive assim pode ser chamada de sociedade democrática ?

Ainda com este caso hipotético em mente, como ficará a situação de um pequeno comerciante que não tiver recursos para capturar e manter estas informações durante os três anos que a lei determina ? Como ficará por exemplo, o controle de acesso a uma feira livre ? Fiz esta analogia, pois a lei em discussão pretende fazer isso no acesso á Internet e sendo assim, vai inviabilizar totalmente a utilização de toda e qualquer rede aberta, pois a implementação e manutenção de um controle
como este vai custar caro e analisando o custo de manter este sistema (e o risco inerente de ainda assim ser multado), não tenho dúvida que o mais fácil (e barato) a se fazer será desligar os transmissores e fechar as redes abertas.

É claro que as operadoras de telecom vão adorar ver apenas as terríveis e instáveis conexões 3G como única forma de acesso sem fio “dentro da lei”. Idem para os escassos provedores de Wifi, que tal como as operadoras, cobram preços absurdos pelos serviços. Aliás, o custo destes acessos deverá ficar ainda mais elevado, uma vez que as exigências legais para a prestação do
serviço agora serão mais pesadas. Pior que tudo isso, é ver que as regras em discussão atualmente, estrangulam no berço uma das tecnologias mais promissoras que foi criada nos últimos
anos, as redes Mesh.

Se a proposta for aprovada, a insegurança jurídica de quem mantém um ponto de rede mesh será tão grande que duvido que possamos um dia utilizar a tecnologia mesh para criar redes abertas que tenham cobertura extensa. Aliás, as operadoras devem estar adorando isso também, pois poderão tirar o máximo do lucro de sua atual rede 3G antes de nos “brindar” com a oferta de
uma rede WiMax (que certamente vai custar mais caro ainda).

(...)

Eu concordo que o Cibercrime deve ser combatido, concordo que a polícia deve ter seus mecanismos de investigação muito bem afinados agora fica difícil como cidadão aceitar mais esta conta para pagar, sendo que ela não é, nem de longe, uma solução tecnicamente aceitável para o problema.
Acho que o investimento em educação dos usuários de Internet no Brasil seria algo que traria muito mais resultados sem colocar a liberdade de todos nós em risco, mas é uma pena que muita gente com a caneta na mão não pense assim.

Para mim, a maior ironia disso tudo é que a maioria das pessoas que hoje lutam com unhas e dentes pela aprovação da lei, batem no peito dizendo que “lutaram pela liberdade” e agora, como não entendem o mundo digital, querem acabar com a liberdade nele... é a velha cultura ilusória de
“transformar um problema que não entendo num problema que conheço para ver se consigo resolve-lo”... Sinto lhes informar, mas não vai funcionar."

Monday, March 23, 2009

PORQUE SOMOS CONTRA SALVAR O PROJETO DO SENADOR AZEREDO


O Ministério da Justiça, pressionado por setores da Polícia Federal aliados ao Senador Eduardo Azeredo (agora presidente da Comissão de Relações Internacionais do Senado), quer apresentar uma proposta para "melhorar" o projeto Substitutivo de crimes na rede (de autoria da equipe do Azeredo). A proposta do Ministério da Justiça de fato retira uma quantidade enorme de absurdos e imprecisões do Substitutivo do Senador Azeredo, mas mantém elementos inaceitáveis e introduz novidades obscuras, tais como a tentativa de criminalizar "provedores de conteúdo" que não tenham condições de vigiar seus usuários. A seguir uma breve crítica a proposta do MJ:


1- Precisamos definir uma lei com os direitos dos cidadãos na comunicação em redes digitais. A violação dos direitos essenciais definidos nesta lei é que deve ser considerada prática criminosa.

2- Devemos exigir o direito de navegar sem termos nosso rastro digital controlado pelas corporações, pelos criminosos e pelos Estados autoritários. Armazenar dados da nossa navegação por mais de seis meses deve ser considerado crime. O projeto de salvação do Substitutivo do Azeredo faz exatamente o contrário.

3- A proposta legitima o DRM, mecanismo de restrição de cópias em aparelhos e sistemas informatizados, e criminaliza a sua inutilização. A nova redação do artigo 285-A diz que é crime "Acessar, indevidamente, informações protegidas por restrição de acesso, contidas em sistema informatizado". Redação absurda.

4- Para impedir o crime de invasão bastaria escrever que seria considerada prática criminosa "invadir servidores de rede e computadores sem autorização de seu responsável". Mas a comunidade da vigilância, coordenada pela equipe do Senador Azeredo, quer deixar a porta aberta para interpretações mais amplas. Continua inaceitável o artigo 285-A.

5- O projeto de salvação do Substitutivo do Senador Azeredo define que provedor de acesso é "qualquer pessoa jurídica, pública ou privada, que faculte aos usuários dos seus serviços a possibilidade de conexão à Internet mediante atribuição ou validação de endereço IP". Assim fica claro que uma escola, faculdade, qualquer lan house ou empresa que forneça uma conexão à Internet está enquadrado como provedor.

6- O projeto de salvação do Substitutivo do Senador Azeredo exclui o famigerado artigo 22, mas mantém o seu conteúdo piorado no artigo 5. Os provedores devem guardar dados de navegação dos seus usuários por 3 anos (Qual é o interesse do pessoal que insiste em 3 anos? vemos claramente as mãos das auditprias de conformidade). Além disso, seguindo a lógica do Geraldo Alckimin, em São Paulo, exige que os provedores tenham "nome completo, gênero, filiação, data de nascimento e número de registro de pessoa física ou jurídica de seus usuários". Minha mãe, agora para acessar a Internet terei que mostrar meu RG...

7- O projeto liquida as redes abertas anônimas dentro de instituições privadas. Por exemplo, no seminaŕio de cidadania digital da Caśper, terei que cadastrar todo mundo que for asistir as palestras e twittar, pois do contrário estarei violando o projeto de salvação do Substitutivo do Senador Azeredo.

8- O mais contraditório e lamentável é que os telecentros, as redes abertas mantidas pelo Poder Público estão fora dessas regras (até porque inviabilizaria todos estes projetos de inclusão digital). Veja o Art. 6º. Repare que as lan houses, pessoas jurídicas privadas, terão que pedir o RG e o nome dos pais do usuário, mas a rede aberta de Copacabana, não. Diria um observador mais atento que isso será derrubado pelo Supremo. O que será derrubado? A não aplicação da lei aos projetos de inclusão digital, pois não existe essa de dizer que crime só é cometido através de pessoas jurídicas privadas. Equivale a dizer que "violar o código penal é crime, menos nos programas de inclusão digital". Pegadinha de mau gosto.

9- O senhor Alckimin sancionou uma lei em SP que exige registro cadastral (não com filiação e outros dados como no projeto em questão) há mais de 3 anos. No mesmo período o crime digital cresceu absurdamente. Resultado da medida: fracasso total. Os mais bem humorados poderiam até concluir que a lei de cadastro e identificação gerou um crescimento estatístico dos crimes na Internet, a partir do Estado de SP. Piada. Estas medidas visam apenas a aplicação arbitrária quando for de interesse da alta e da baixa administração (um fiscal que queira prejudicar uma lan house por motivos particulares).

10- Agora, vamos ao pior! REPARE. O projeto de Salvação do Substitutivo do Azeredo atingiu o seu limite de obscurantismo no parágrafo 5º do Art. 5º. No projeto anterior não existia nenhuma alusão aos chamados provedores de conteúdo. Agora a comunidade da vigilância quer controlar e vasculhar as redes sociais. Querem que todo provedor de conteúdo demonstre "possuir a capacidade de coletar, armazenar e disponibilizar dados informáticos para fins de investigação criminal ou instrução processual penal" (inciso III).

11- VEJA O QUE É PROVEDOR DE CONTEÚDO NO Art. 4º:
"II – provedor de conteúdo: qualquer pessoa jurídica, pública ou privada, que coloque informações à disposição de terceiros por meio da Internet."
Quem será atingido por este artigo? O site de uma empresa pequenina, um cluster de blog, o twitter, o Facebook, o Youtube, o site da paróquia da sua preferência, o Yappr, o wordpress, a wikipedia, o digg, o gazeta esportiva online, o sourceforge, etc. Enfim, quase todo mundo que monta uma página na web.

12- Quem quer isto? A comunidade de vigilância que nunca se conformou com a comunicação distribuída. Eles querem impedir que possamos continuar divulgando a rede TOR, hospedada no Eletronic Frontier Foundation, usada para assegurar a comunicação anônima, sem intrusão. Querem agir como o governo autoritário da China.

13- Por fim, continua a tal regulamentação da lei depois de sua aprovação. Imagine a PF fazendo tal regulamentação. Imagine se não reaparecerá a necesidade das auditorias de conformidade. É claro que voltarão. Fizemos várias conversas com o Julio Semeghini e com o Ministério da Justiça. Explicamos que esta lei é absurda, pois atinge o cidadão e pouco afeta os crackers. Esta lei facilita o abuso, a chantagem, o vigilantismo. O MJ e o deputado do PSDB ficaram de agendar uma reunião com os técnicos da PF que dizem que esta lei irá permitir o combate aos crimes digitais. Mostramos que isto não ocorreria. A reunião não aconteceu. O projeto que apresentam melhorou muito pouco em relação ao Substitutivo do Azeredo e piorou de modo intenso na questão do provimento de acesso e agora (novidade) conteúdo. Lamentável. As empresas que usam wordpress terão que provar que têm capacidade de vigilância sobre as suas postagens, sobre as redes sociais que venham formar. Absurdo.

Friday, March 13, 2009

ALERTA GERAL: SENADOR AZEREDO AUMENTA PRESSÃO PARA APROVAR SEU PROJETO DE VIOLAÇÃO DA LIBERDADE E IMPLANTAÇÃO DO VIGILANTISMO NA INTERNET


O Senador Azeredo, eleito presidente da Comissão de Relações Internacionais do Senado, no dia 4 de março, a partir de sua nova posição está pressionando o governo para apoiar a aprovação do seu projeto de criminalização da Internet na Câmara.

No dia 5 de março, o deputado conservador ligado ao PSDB, Regis de Oliveira (PSC-SP), conseguiu aprovar seu parecer favorável ao projeto do Senador Azeredo na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados. O Parecer afirma que o projeto vigilantista e violador da privacidade na rede é constitucional e clama pela sua aprovação .

O projeto de lei do Senador Azeredo quer destruir as redes abertas, impor o fim da comunicação anônima na Internet e criminalizar práticas cotidianas na rede. Abre espaço para atacar as redes P2P, como tem ocorrido em todo o mundo (veja o exemplo do julgamento do Pirate Bay). O projeto do Senador Azeredo é apoiado pela Febraban e pelos banqueiros que querem repassar para a sociedade os custos da segurança bancária.

Quem quiser se somar à luta pela liberdade e privacidade na Internet, envie um e-mail para o deputado do seu Estado pedindo que vote contra o projeto de crimes da Internet re-escrito pelo Senador Azeredo. Porcure no site da Câmara o e-mail do deputado do seu Estado: http://www2.camara.gov.br/canalinteracao/faledeputado

Leia as postagens que esclarecem os riscos dos artigos 285-A, 285-B e 22 do projeto-substitutivo do Senador Azeredo:
http://samadeu.blogspot.com/search/label/contra%20PLC%20do%20Azeredo


Ajude a divulgar a petição contra o projeto original do Senador Azeredo.

Friday, March 06, 2009

ACABOU O JULGAMENTO DO PIRATE BAY. A DECISÃO SAI NO DIA 17 DE ABRIL


A melhor cobertura do julgamento do Pirate Bay que eu li em língua portuguesa foi feita pelo Alisson Gøthz no rraurl. Esta foto veio de lá e deve ter vindo de outra parte da blogsfera.

O julgamento acabou, mas o veredito só sairá no dia 17 de abril.
As megacorporações da indústria de intermediação acusaram The Pirate Bay de facilitar o compartilhamento ilegal de arquivos digitais, violando a lei de copyright.

Em homenagem aos amigos do Pirate Bay transcrevo, agora, um trecho de Luíz Aguiar Santos sobre as idéias do grande literato português Alexandre Herculano:

"Assim, para Herculano, o direito de propriedade não podia abranger as criações do espírito humano enquanto idéias, discursos, gestos, formas (ou fórmulas...) que pudessem ser imitados; apenas poderia abranger objectos criados, entidades físicas, materiais, tangíveis."

Vida longa ao The Pirate Bay!

Wednesday, March 04, 2009

DITABRANDA? FOLHA PERDEU A NOÇÃO...

Para o jornal Folha de São Paulo quando o velho Bush censurou a imprensa no seu esforço de guerra contra o terror, apenas estava defendendo razões de Estado. Em nenhum momento, durante o "período ditatorial" norte-americano a Folha chamou Bush de "o ditador George W. Bush". Chaves e Fidel, sim. São ditadores. Já os dirigentes chineses não são ditadores para a Folha. O jornal escreve "o ditador Fidel Castro", mas nunca usa "o ditador chinês fulano de tal"... Claro que não. O que vale para os grupos de comunicação são os seus interesses. O discurso oscila. A definição de ditadura segue a conveniência dos tempos.

Eu não sou sem mídia. Tenho este modesto blog. Acho que jornais sofrem uma forte concorrência de outras formas de veiculação de informação nas redes digitais. Independente disso, considero extremamente oportuna a manifestação do Movimento dos Sem-Mídia (MSM) contra a Folha de S.Paulo em 7 de março, sábado, às 10h. Onde? em frente à sede do jornal, na rua Barão de Limeira.

Por que?

Porque a Folha perdeu a noção e chamou a ditadura militar que governou o Brasil, entre 1964 e 1984, de “ditabranda”. O pior é que o Sr Frias Filho, diretor da corporação jornalística, para tentar defender o seu absurdo equívoco atacou os professores Fábio Konder Comparato e Maria Benevides que protestaram contra o impropério cometido pelo jornal.

Por essas e outras é que a famosa "credibilidade da imprensa" não resiste a contundente "reputação" das redes e mídias sociais.

Sunday, March 01, 2009

PIRATE BAY: FLORES CONTRA A TRUCULÊNCIA DA INDÚSTRIA DE COPYRIGHT


No nono dia do histórico julgamento dos jovens do Pirate Bay, processados pela indústria fonográfica de violação de copyright, a Acusação buscou desqualificar as testemunhas quando percebeu que elas eram simpáticas aos rapazes.

O professor de mídia Roger Wallis, também compositor e presidente da Associação Sueca Compositores de Música Popular foi testemunhar e afirmou que não vê nenhuma diferença entre o Pirate Bay e motores de busca tais como Google. Além disso, criticou a indústria cultural por ser tão lenta para se adaptar às novas tecnologias. Comparou as reações atuais àquelas que tentaram impedir o surgimento dos cassetes nos anos 70.
Quando perguntado se pirataria prejudicava as vendas da indústria da música, Wallis afirmou que o download aumentou as vendas de ingressos em shows e concertos. Disse ainda que as vendas de CDs podem voltar a subir, pois as pessoas que fazem download tendem a comprar mais CDs.

Ao ser informado das opiniões do Wallis, a acusação, no início da arguição fez uma pergunta para tentar desqualificar o seu depoimento. O acusador dos jovens do Pirate Bay indagou se Wallis era um bom professor. Wallis respondeu: "Você pode usar o Google? Então, você pode facilmente encontrar o meu CV."

Quando perguntaram a Wallis se ele queria ser reembolsado pelo custo de transporte para vir testemunhar no Tribunal, respondeu: não, apenas enviem flores a minha esposa. Sabendo disso, inúmeros apoiadores do Pirate Bay enviaram espontaneamente centenas de buquês de flores para a residência de Robert Wallis. Um ato que mostra beleza e força daqueles que lutam pelo compartilhamento do conhecimento.

As informações desse post, bem como, a foto que coloquei acima foram retiradas do Gizmodo.

Acompanhe os acontecimentos e os últimos lances do julgamento pelo Spectrial http://trial.thepiratebay.org/

Thursday, January 29, 2009

FSM discute alternativas ao PL do Senador Azeredo


Ocorreu aqui no Fórum Social Mundial uma oficina sobre as alternativas ao PL do Senador Azeredo que trata dos crimes na Internet. A mesa, mediada por Pablo Ortellado, foi integrada pelo Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, pelo Deputado Paulo Teixeira, pelo representante da FGV-RJ, Luiz Moncau e por mim.

Depois de uma explanação mais descritiva e histórica do projeto de Lei, realizada por Luiz Moncau e por mim, o Deputado Paulo Teixeira fez um importante alerta. Para ele, aumentará a pressão pela votação do projeto. Por isso, sugeriu que a sociedade civil amplie sua ações contra a aprovação do projeto. A contrapressão é vital para suprimir os artigos nefastos da proposição.

O Secretário Pedro Abramovay, afirmou que a ação do Ministério da Justiça segue três premissas básicas: primeiro, o projeto de Lei não deve tratar de assuntos relacionados a propriedade intelectual; segundo, o projeto não pode prejudicar a inclusão digital e as redes abertas; terceiro, o direito penal deve ser usado somente em último caso. Além disso, afirmou que “a Internet é um meio. Um crime não pode ser considerado mais grave porque foi praticado pela rede.”

Várias entidades estavam presentes, entre elas, o Intervozes e a ASL (Associação de Software Livre). Henrique Parra, do CMI, falou sobre a necessidade de construir um marco civil regulatório da Internet. Afirmei que talvez fosse mais interessante trabalharmos uma Carta de Direitos nas redes digitais. Ao definirmos quais os direitos que os cidadãos devem ter no ciberespaço, teremos melhores coindições de precisar quais violações desses direitos devem ser consideradas criminosas. João Brant, propôs a realização de um seminário sobre o marco regulatório / carta de direitos da cidadania digital. Pablo Ortellado sugeriu organizarmos um blog somente para acompanhar o PL Azeredo e para organizarmos esse seminário.

Foi unânime a idéia de que o PL Substitutivo do Senador Azeredo é extremamentee perigoso para a liberdade e para a privacidade na rede. Por isso, devemos aumentar a pressão para suprimirmos os artigos 285-A, 285-B, 171 e 22.

DEFESA DA LIBERDADE NA INTERNET

Amanhã, ocorrerá no FSM, a oficina Internet sob ataque que discutirá as tentativas de controlar a rede, entre elas, a Lei Sarkozi contra o P2P, as tentativas das operadoras de quebrar o princípio da neutralidade na rede, entre outras.

Saturday, December 13, 2008

PIZZA, FLASHMOB, SUBSTITUTIVO DO SENADOR AZEREDO, FANFICS, FANSUBBERS E A LIBERDADE NA INTERNET: ÚLTIMAS INFORMAÇÕES.


A mobilização dos pesquisadores da cibercultura, blogueiros, ciberativistas e cidadãos conectados NÃO acabou em PIZZA. No dia 13 de novembro, a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos deputados realizou uma audiência pública sobre o projeto de Lei de Crimes na Internet (o nome oficial do projeto substitutivo do Senador Azeredo que foi aprovado no Senado). Para esclarecer os perigos daquele projeto estavam Thiago Bottino, Luiz Moncau, da FGV-RJ, e eu. Mesmo estando em franca minoria entre os expositores, acredito que conseguimos deixar claro que o projeto não poderia ser aprovado daquela forma. É preciso dar os devidos créditos a três deputados que barraram o pedido de urgência e evitaram a votação do projeto no plenário da Câmara até que fosse ouvida a sociedade civil contrária ao projeto. A audiência pública foi aprovada pelo deputado Walter Pinheiro (BA) a pedido dos deputados Paulo Teixeira(SP) e Jorge Bittar (RJ).

No dia 14 de novembro, na Avenida Paulista, em São Paulo, foi realizada a primeira flashmob contra o projeto do Azeredo que contou com aproximadamente 100 pessoas e foi feita duas vezes no canteiro central da avenida. Por isso, alguns acreditam que devido a característica dos brasileiros chegarem atrasados aqui as flashmobs devem ser acompanhadas de refrashmobs.
Meu aluno da pós, Alexandre Izo também fez uma edição bem curta da flash para quem não sabe como foi.

No dia 5 de dezembro, na Cásper Líbero, ocorreu uma reunião do relator do projeto de Lei, deputado Julio Semeghini, com vários ativistas da sociedade civil, entre eles, João Brant (Intervozes), Pablo Ortellado, Jorge Machado e Gisele (GPOPAI),José Correia (Epidemia),Edmilson Pajé (Cobra) e Sergio Amadeu (Cásper Líbero). João Brant resumiu bem a reunião em um e-mail informando o pessoal que não pode comparecer na reunião: "O Semeghini foi receptivo às observações e preocupações todas. Disse que não vai votar um projeto que seja superabrangente, que não tem a menor intenção de que ele abranja as questões de propriedade intelectual, que não quer votar um projeto que acabe com o anonimato etc. etc. Neste último ponto, ele disse que discutiu com o Portugal e com o Azeredo porque ele é contra a identificação, e o relatório dele vai buscar deixar claro que dados devem ser mantidos. Mas o resumo geral é que ele quer achar uma redação para esses artigos que dê conta dos objetivos gerais do projeto (os objetivos, digamos, 'mais nobres', que podem ser reconhecidos como implícitos nos termos do projeto). Chegamos a dizer que o projeto teria que vir pela positiva, como um projeto que afirmasse direitos civis, e que seríamos árduos defensores de algo assim, mas que ficava difícil desentortar um projeto desse. Segundo ele, a SAL está tentando uma redação para esses artigos que dê conta dessas preocupações. Neste caso, esses pontos seriam retirados deste projeto e apresentado como um projeto à parte, complementar a esse."

É importante destacar que a garantia das práticas recombinantes, do direito dos fanfics e fansubbers à diversão e ao compartilhamento do lúdico que já havia sido colocado por mim na audiência pública, foi bem destacado na reunião. O deputado Semeghini disse que jamais entregaria um relatório que permitisse criminalizar as práticas cotidianas da cibercultura. Concordando com o relato do João Brant, acho que o deputado Semeghini está conduzindo o processo de um modo democrático, sério e favorável a manutenção da liberdade na rede.

O deputado Paulo Teixeira enviou um e-mail dizendo que se dispõe a apresentar um projeto de lei que garanta os direitos dos cidadãos na rede. Assim estaríamos invertendo a lógica da criminalização. Como tem afirmado Marcelo Branco e o Porf. Pedro Rezende é necessário estabelecer os marcos do que é direito antes de criminalizar as pessoas. Sem dúvida, se definirmos que a privacidade é um direito na navegação em rede, a identificação do rastro digital passa ser uma violação de direitos. Depois podemos avaliar se isto deve ou não ser criminalizado. Outro exemplo: se temos direito a recontar histórias e a brincar com personagens da mídia em nossas casas, deveríamos também garantir o direito dos internautas recriarem suas próprias versões de séries e de personagens da mídia. Enfim, como nos ensinoiu John Dewey a sociedade deve ser construída sobre direitos e não a partir somente de deveres. Os deveres nascem dos direitos.

Agora estamos tentando conversar com o Ministério da Justiça para que o novo projeto de Lei ao invés de ser sobre crimes na Internet seja sobre a Cidadania na rede. O Secretário Pedro Abramovay tem dado inequívocas demonstrações que está disposto a manter a liberdade na rede e a buscar um equilíbrio entre a manutenção da navegação livre e as necessidades de segurança.

Vamos continuar alertas. Nossa capacidade de mobilização tem sido muito importante para a defesa da liberdade na rede.

OBS: É possível acompanhar o passo-à-passo do projeto no site da Câmara Federal.

Tuesday, November 25, 2008

VÍDEO SOBRE A FLASHMOB NA PAULISTA PELA LIBERDADE NA INTERNET


Andrea do http://natadafotografia.com/ me enviou o link do vídeo sobre a Flashmob na Av Paulista pela liberdade na Internet e contra o projeto de lei criminal do Senador Azeredo.

Imperdível http://www.vimeo.com/2343090

Saturday, November 15, 2008

UM RELATO DA FLASHMOB PELA LIBERDADE NA INTERNET CONTRA O SUBSTITUTIVO DO SENADOR AZEREDO


Dia 14 de novembro. Por volta das 17 hs uma chuva intensa caiu sobre a região da Paulista em São Paulo. Estava indo para o metrô Vila Madalena junto com o Pedro Markun e o Leo Germani. Alguém comentou: a flashmob será com guarda-chuva.


Quando saímos do metrô na Av Paulista a chuva havia passado e algumas pessoas já se aglomeravam na escadaria da Gazeta. Obviamente os relógios dos manifestantes que chegavam com o NÃO! grafado em folhas de sulfite indicavam horários diferentes.

Era ou não 18h? O Edney sugeriu que observassemos o relógio do próprio canteiro central da Av. Paulista.

Uma flashmob é uma manifestação instantânea de pequena duração e que se dissipa imediatamente após seu ato cosntitutivo. Assim, fomos para o canteiro central e ficamos por volta de três minutos.

Viramos para a outra calçada e depois...

... fizemos 30 segundos de contagem regressiva para a dispersão.

Pronto! Flashmob realizada. Convocada pelo twitter e por alguns blogs ela mostrou que podemos nos mobilizar presencialmente em defesa da liberdade na Internet.

Mas, o trânsito em São Paulo é infernal. Quando estamos indo embora, chegavam mais pessoas exigindo participar da flashmob que já havia acabado. Pablo Ortellado, Marcelo Marques, André Lemos, deputado Paulo Teixeira, João da Cedesc, pessoal do Serpro vindo da Capela do Socorro, enfim muita gente começou a chegar bem depois das 18 hs.

Bom, como uma manifestação auto-organizada ela resolveu se auto-constituir de novo. A flashmob virou uma refreshmob.

Estas fotos foram enviadas pela Heloisa Rocha do http://www.acessoespecial.com.br/. Eu mesmo não consegui bater quase nenhuma foto.

Mais de cem pessoas participaram das duas mobilizações instantâneas...

A flashmob do dia 14 é um protesto em defesa da liberdade na rede. É um pequeno ato da grande mobilização na rede para derrotar o projeto substitutivo do Senador Azeredo que trata de crimes na Internet. Hoje, dia 15 de novembro, dia da República, também é dia de protesto blogagem política pela liberdade de expressão, privacidade e livre criação e pesquisa na rede mundial de computadores.

Friday, November 14, 2008

FLASH PELA LIBERDADE NA INTERNET

HOJE, SEXTA, DIA 14 DE NOVEMBRO, 18 H, NO CANTEIRO CENTRAL DA AVENIDA PAULISTA EM FRENTE AO PRÉDIO DA GAZETA (ALTURA DO 900), FLASHMOB EM DEFESA DA LIBERDADE DA REDE E CONTRA O PROJETO SUBSTITUTIVO DO SENADOR AZEREDO. TRAGA UMA FOLHA DE SULFITE ESCRITO "NÃO".
A FLASHMOB É UMA MANIFESTAÇÃO INSTANTANEA QUE DURA UM OU DOIS MINUTOS.

Tuesday, November 11, 2008

ALERTA: NESTA QUINTA OCORRERÁ A AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE O PROJETO AZEREDO DE CRIMES NA INTERNET

Fui convidado para participar da audiência pública sobre o Substitutivo Azeredo do projeto de crimes na Internet (que na Câmara chama-se PL 84/1999), nesta quinta, dia 13 de novembro, em Brasília. Levarei as preocupações da sociedade civil e da comunidade acadêmica para o debate com os deputados.
Abaixo, segue a notícia sobre a audiência, publicada no portal da Câmara dos Deputados.


CCTCI debaterá crimes cibernéticos, PGO e radiodifusão neste mês

07/11/2008

"O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), divulgou nesta quarta-feira o cronograma de audiências públicas para o mês de novembro.

Na próxima semana, a audiência será realizada em conjunto com a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado na quinta-feira (13/11), para debater a tipificação dos crimes e delitos cometidos na área de informática e suas penalidades, tema do Projeto de Lei 84/1999, que foi alterado no Senado, e tramita em regime de urgência urgentíssima na Câmara.

Para participar do debate foram convidados o Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Vieira Abramovay; o Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, Fernando Neto Botelho; o Delegado da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, Carlos Eduardo Sobral; Professor da Faculdade Cásper Líbero e representante da Comunidade Software Livre, Sérgio Amadeu da Silveira; o Diretor-presidente da Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet (Abranet), Eduardo Fumes Parajo; o Professor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ronaldo Lemos, e o advogado Renato Opice Blum.

Na CCTCI, os requerimentos (136 e 139/2008) para a realização da audiência são assinados pelos deputados Jorge Bittar (PT-RJ), Paulo Teixeira (PT-SP) e Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE).
(...)"

Wednesday, November 05, 2008

II SIMPÓSIO DA ABCIBER: PLENÁRIA EM DEFESA DA LIBERDADE NA INTERNET


NO II SIMPÓSIO DA ABCIBER (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA) OCORRERÁ UMA PLENÁRIA ESPECIAL

10 de novembro - segunda-feira- 14h
PLENÁRIA ESPECIAL I
LIBERDADE NA INTERNET
Articulação e mediação: André Lemos (UFBA) e Sérgio Amadeu da Silveira (Cásper L
íbero)

LOCAL: PUC-SP, em Perdizes, na Rua Monte Alegre, 984.

VAMOS DISCUTIR OS ATAQUES À LIBERDADE NA REDE, O PROJETO DE LEI DO AZEREDO, A MOBILIZAÇÃO PARA BARRAR O PROJETO, A DEFESA DAS REDES ABERTAS E CONTRA O VIGILANTISMO E OS ATAQUES À PRIVACIDADE, ÀS PRÁTICAS RECOMBINANTES, À LIBERDADE DE PESQUISA E CRIAÇÃO.

COMPAREÇA E AJUDE A DIVULGAR

Saturday, November 01, 2008

ANÚNCIO DE EMPRESA DE CELULAR CONTRA BUSH


Quando pesquisava o ativismo em rede me deparei com um anúncio da CREDO MOBILE, uma operadora de celular norte-americana. Eles financiam vários movimentos e causas progressistas. Comecei a ler sobre a história dessa companhia. O anúncio é uma denúncia das outras companhias que financiam as forças conservadoras norte-americanas. CREDO apóia Obama.

Thursday, October 16, 2008

W.BUSH LANÇA NOVA LEI CONTRA O COMPARTILHAMENTO DE ARQUIVOS NA REDE


Uma nova lei, apelidada de "PRO-IP ACT", foi sansionada pelo presidente George W. Bush na segunda-feira última. Aplaudida pela indústria do copyright, a lei cria um super funcionário que terá acesso direto ao presidente para definir ações de proteção do copyright, seja dento ou fora dos Estados Unidos. Além disso, os usuários de redes que compartilham arquivos digitais poderão ter seus IPs identificados. Uma vez comprovado que um determinado IP recebeu ou enviou alguma música ou vídeo protegido por copyright será acionado pelas autoridades norte-americanas.

Uma das medidas mais absurdas da lei é a que permite os vigilantes do copyright confiscarem computadores, i-pods, celulares e aparelhos eletrônicos que contenham arquivos digitais sem a devida licença de uso.

Os defensores da lei, Recording Industry Association of America and Motion Picture Association of America dizem que ela é indispensável para proteger a inovação. Obviamente, sabemos que isso não passa de um discurso vazio. Querem evitar o uso justo, ou seja, pessoal, sem finalidade comercial, de obras culturais. Querem evitar a remixagem e que as pessoas que pagaram pelo CD ou pela música a portem para seus computadores ou para pen drivers. No final, tentam manter os fluxos bilionários que a indústria da intermediação obtinha no mundo industrial e que estão sendo afetados pela comunicação interativa e digitalizada.

O Washinghton Post publicou uma matéria sobre a nova lei:
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/10/13/AR2008101301551.html

Saturday, September 27, 2008

FREEDOM STICK, TOR E A DEFESA DO ANONIMATO NA REDE


As Olimpíadas na China além das maravilhas do esporte e da cultura milenar alertaram o mundo para a realidade de um sistema político autoritário. Não são apenas os monges tibetanos que são reprimidos em suas manifestações de pensamento e religião, muitas etnias, minorias, grupos culturais e associações políticas são impedidos de divergir das autoridades centrais de Pequim. Não existe espaço para a discordância. Lá, o poder sempre está certo. A liberdade das pessoas diante do poder é extremamente limitada. Para apoiar os jornalistas que iriam cobrir as Olimpíadas e para permitir que os chineses pudessem se comunicar sem serem perseguidos é que o Chaos Computer Club, grupo alemão conhecido pela sigla CCC, criou um dispositivo chamado Freedom Stick.

Desde o início da internet, antes da existência dos microcomputadores, quando a rede ainda era um projeto da Agência de Pesquisas Avançadas (ARPA), alguns programadores talentosos influenciados pelos ideais libertários da contracultura norte-americana foram construindo uma comunidade de pessoas altamente capacitadas e fortemente ligadas pelos princípios de compartilhamento do conhecimento e solidariedade. Assim surgiu a comunidade dos hackers. Obviamente, a defesa intransigente da liberdade de criação tecnológica e de expressão não agradavam as grandes corporações. Com sua força econômica e política, estas empresas conseguiram que a maioria da imprensa utilizasse o termo 'hacker' como sinônimo de criminosos e invasores de máquinas. Mas, hackers não são crackers, que buscam obter benefícios ilícitos e pessoais, explorando a ingenuidade alheia ou as falhas de sistemas informacionais. Como afirmou Eric Raymond, autor do famoso livro Catedral e Bazar, os hackers são os responsáveis pela contrução da Internet.

O sociólogo Manuel Castells, autor do livro A Sociedade em Rede, analisa a formação da rede e percebe que a cultura hacker foi decisiva para que o seu funcionamento fosse baseado na liberdade. A ideologia hacker é que proporcionou que na Internet a tarefa de controlar seja mais difícil do que a liberdade de se comunicar. Talvez a característica mais fantástica da rede mundial de computadores é a possibilidade que qualquer pessoa ou grupo competente possui de ir além da criação de conteúdos. As pessoas podem criar novos formatos e novas tecnologias. Se não querem que seu conteúdo transite, você pode inventar um modo que burlar o controle. Isto baneficia algumas atividades ilegítimas e reprováveis, mas o uso quase absoluto das possibilidades de livre criação têm fortalecido práticas saudáveis de liberdade, democracia e colaboração.

Compartilhando seu conhecimento tecnológico com quem necessita fugir do vigilantismo anti-democrático, os hackers alemães reunidos no Caos Computer Club criaram um aplicativo de fácil instalação em máquinas com Linux, FreeBSD ou windows que permite acessar a rede TOR e ultrapassar a "Grande Firewall da China", ou seja, o enorme filtro de mensagens e boqueador de acesso a vários sites mantido pelo governo chinês. Esse aplicativo, denominado Freedom Stick permite que seu usuário consiga acessar um sistema mundial de servidores, executado por voluntários, que impede a identificação da origem dos pacotes de informações que transitam pela Internet, ou seja, garante o anonimato de quem está lutando pela liberdade e combatendo a censura das comunicações. Pode ser baixado no site e portado em um pendrive. Freedom Stick codifica os dados e através de diferentes rotas de servidores dentro da rede Tor, tornando inúteis quaisquer esforços de rastreá-los ou de descobrir sua fonte. Como todos precisam de um endereço IP para anavegar na rede, não era difícil paraa polícia política descobrir o computador de origem de uma determinada mensagem. O aplicativo da rede TOR age como um embaralhador de endereços IP (Internet Protocol).

O Tribunal Constitucional Federal alemão criminaliza o uso de aplicativos TOR o que dificulta o trabalho de voluntários que apóiam os movimentos contras as ditaduras e sistemas políticos totalitários. Björn Pahls, do CCC, afirma que a "censura na China é um sintoma de um estado de vigilância que tem sido apoiado tecnologicamente pelas sociedades ocidentais". Pahls fez um apelo às autoridade alemãs "para parar de penalizar os operadores de servidores da rede Tor. O comportamento das autoridades é altamente prejudicial para as pessoas que vivem submetidas a Estados opressores, suas vidas estão em risco. China é apenas um dos muitos exemplos".

Ian Clarke, nascido em 1977, na Irlanda, criador e programador principal da rede Freenet, deixa claro a importância do anonimato nas redes de comunicação ao afirmar: "Você não pode ter liberdade de expressão, sem a opção de permanecer anônimo. A maioria dos atos de censura é retrospectivo. É geralmente muito mais fácil para a limitar a liberdade de expressão punir aqueles que a exerceram ao invés de impedi-los de fazê-lo em primeiro lugar. A única forma de evitar isto é o anonimato". Por isso, o TOR é fundamental para a liberdade de expressão e criação nas redes. Em seu site principal, , os organizadores do projeto explicam: "Tor é um software que o proteje contra análise de tráfico, uma forma de vigilância que ameaça a liberdade e privacidade, negócios confidenciais e relacionamentos, e a segurança de Estado. Tor proteje você distribuindo sua comunicação através de uma rede de voluntários transmissores ao redor do mundo: isto previne que alguém monitore sua conexão e veja que sítios vocé acessa, e também previne que descubram sua localização física."

Quem está usando TOR? Uma série de entidades de defesas dos direitos humanos, tais como Human Rights Watch; organizações que defendem ou praticam a liberdade de expressão, tais como a Global Voices, um projeto de mídia fundado pela Harvard Law School’s Berkman Center for Internet and Society, e a Eletronic Frontier Foundation, que luta pelas liberdades civis na rede; associações de jornalistas que precisam driblar a censura, como os Repórteres sem Fronteira; blogueiros dissidentes de regimes totalitários, entre tantos outros que lutam pela liberdade dentro e fora do ciberespaço.


* Este texto foi publicado na Revista A Rede, número 40, setembro de 2008.

Monday, September 08, 2008

TWITTER, MSN E ORKUT SÃO PROIBIDOS NAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE SÃO PAULO


Recebi um e-mail de uma professora da rede municipal que obviamente preservarei o nome. Ela me contou que o twitter, msn e orkut são proibidos porque seus conteúdos são relacionados a sexo, drogas e pedofilia!

Quando a professora questionou o motivo da proibição foi informada que no Diário Oficial do Município, de 15 de agosto, na página 1, foi publicado o decreto nº 49.914 que regulamenta da Lei 14.098 que "dispõe sobre a proibição de acesso a 'sites' da Internet com conteúdos relacionados a sexo, drogas, pornografia, pedofilia, violência e armamento, no âmbito dos órgãos integrantes da Administração Municipal Direta e Indireta".

Nos artigos 2 e 3 do decreto podemos ler:

"Art. 2º. Todos os órgãos integrantes da Administração Pública Municipal Direta e Indireta, inclusive as empresas públicas e sociedades de economia mista por ela controladas, ficam obrigados a adequar suas redes de comunicação e de dados, de forma a impossibilitar o acesso a conteúdos inadequados.
Parágrafo único. Para os fins do “caput” deste artigo, consideram-se conteúdos inadequados todos os sítios da Internet que possuam conteúdos relacionados a sexo, drogas, pornografia, pedofilia, violência e armamento, bem como outros que venham a assim ser conceituados.
Art. 3º. A rede corporativa interna da Prefeitura, qual seja, a rede administrada pela Empresa Municipal de Tecnologia da Informação e Comunicação - PRODAM, deverá ser dotada de filtros de conteúdo gerenciados por “software” e “hardware” específicos, permanentemente atualizados."

Lamentável, pois o decreto provavelmente atingirá também os telecentros e impedirá que a partir dele as pessoas tenham acesso a todo potencial positivo da rede. Nas escolas, infelizmente, ao invés de aproveitarmos os riscos e perigos para discutirmos ética e segurança no ciberespaço, subistituímos a educação e o diálogo pela mera proibição e negação da realidade. Este pensamento é o mesmo que impedia a redução da AIDS no Brasil, até que médicos corajosos, entre eles, Davi Capistrano, resolveram fazer o óbvio: distribuir preservativos como parte da campanha de esclarecimento. Sua ação foi combatida por toda espécie de conservadores. Capistrano defendia salvar as vidas e somente o esclarecimento, a disseminação de conhecimentos, poderia ter efeito. Os outros queriam simplesmente negar que as pessoas, jovens e adultos, praticavam sexo. Felizmente, médicos como Capistrano venceram a batalha ideológica. O Brasil foi um dos poucos países do mundo que conseguiu reduzir drasticamente a proliferação da doença.

O processo de ensino e aprendizagem passa pelo diálogo e pelo contexto. Paulo Freire nos ensinou que a educação deve basear-se na liberdade e não no autoritarismo. Mais do que criminosos, pedófilos e sexistas, na internet podemos encontrar fontes de entretenimento e conhecimento incríveis. Proibir sites de relacionamento, redes sociais e comunicadores instantâneos é mais do que um absurdo. Trata-se da falência do diálogo e do papel do educador como um orientador de condutas e um explorador de conhecimentos.

Thursday, August 28, 2008

TV DIGITAL: ABNT APROVOU NORMA QUE IMPÕE O DRM NOS APARELHOS



Acabo de receber essa informação. Confirmei com duas fontes. O grupo da ABNT que discute as normas técnicas do setup box da TV DIGITAL, conversor dos sinais analógicos para o digital, aprovou ontem o interesse de alguns radiodifusores de inserir em cada aparelho o DRM.

O DRM (Digital Rights Managements) é uma tecnologia que visa restringir a cópia por parte dos usuários.

Para saber os impactos do DRM, leia o artigo do IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor)sobre restrições tecnológicas.


É lamentável que uma questão dessas seja definida por um grupo diminuto de técnicos. Esta decisão não é meramente técnica, pois tem impactos sócio-culturais extremamente graves e amplos. A sociedade deveria ser ouvida. Trata-se de um tema de cidadania digital, ou seja, de direito ao uso justo das imagens e de guardá-las da forma que as pessoas queiram.

A decisão pró-DRM é um absurdo.