Wednesday, June 25, 2008

PROJETO NO SENADO INVIABILIZARÁ REDES ABERTAS


Enquanto vários prefeitos estão abrindo o sinal de Internet wireless para sua população, a Comissão de Constituição e justiça do Senado aprova o PLC 89/2003 que responsabiliza o provedor de acesso por alguma ação ilegal que parta da sua rede. Também torna a "delação" uma obrigação do provedor. O resultado será um estado de vigilantismo. A consequência será incentivar redes cada vez mais fechadas, sem possibilidades de uso de P2P (bem ao gosto das operadoras e da MPAA e da RIAA), de implementar projetos como seti@home, de usar tecnologias novas.

Por que? Porque o provedor terá a obrigação de notificar as autoridades competentes (leia: polícia) que um pacote de dados é suspeito. O problema é como o provedor irá identificar, por exemplo, se uma pessoa que está usando uma aplicação BitTorrent estará ou não realizando um ato ilegal (baixando um filme protegido por copyright). É provável que se escolha entre dois caminhos: invadir a privacidade e olhar os pacotes baixados ou simplesmente proibir o uso do Torrent para evitar um processo posterior. Um terceiro caminho (mais absurdo ainda!) é inundar a polícia com listas semanais de usuários do provedor que acessaram redes P2P.

Trata-se da implantação de uma sociedade da vigilância e do medo. É um projeto que nasce da mentalidade autoritária que irá igualar o Brasil ao despotismo chinês.

Vou sugerir aos meus amigos que são bons designers que façam um selo para a gente colocar em todos os blogs. Algo como: diga não ao PLC 89/03! Contra o vigilantismo na rede! Em defesa da privacidade e da liberdade!

Tuesday, June 24, 2008

PROJETO DE LEI APROVADO EM COMISSÃO DO SENADO COLOCA EM RISCO A LIBERDADE NA REDE E CRIA O PROVEDOR DEDO-DURO.



Na última semana, em uma sessão corrida e esvaziada, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o projeto de lei (PLC) 89/03 que define quais serão as condutas criminosas na Internet.

Os exageros que constam do projeto podem colocar em risco a liberdade de expressão, impedir as redes abertas wireless, além de aumentar os custos da manutenção de redes informacionais. O mais grave é que o projeto apenas amplia as possibilidades de vigilância dos cidadãos comuns pelo Estado, pelos grupos que vendem informações e pelos criminosos, uma vez que dificulta a navegação anônima na rede. Crackers navegam sob a proteção de mecanismos sofisticados que dificultam a sua identificação.

Veja o aburdo. Com base no artigo 22 do PLC 89/03, os provedores de acesso deverão arquivar os dados de "endereçamento eletrônico" de seus usuários. Terão que guardar os endereços de todos os tipos de fluxos, inclusive a voz sobre IP, as imagens e os registros de chats e mensagerias instantâneas, tais como google talk e msn.

O pior. A lei implanta o regime da desconfiança permanente. Exige que todo o provedor seja responsável pelo fluxo de seus usuários. Implanta o "provedor dedo-duro". No inciso III do mesmo artigo 22, o PLC 89/03 exige que os provedores informem, de maneira sigilosa, à polícia os "indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público". Ou seja, se o provedor identificar um jovem "baixando" um arquivo em uma rede P2P, imediatamente terá que abrir os pacotes do jovem, pois o arquivo pode ser um MP3 sem licença de copyright. Mas, e se ao observar o pacote de dados reconhecer que o MP3 se tratava de uma música liberada em creative commons? O PLC implanta uma absurda e inconstitucional violação do direito à privacidade. Impõe uma situação de vigilantismo inaceitável.

Como ficam as cidades que abriram os sinais wireless? A insegurança jurídica que o PLC impõe gerará um absurdo recuo nesta importante iniciativa de inclusão digital. Como fica um download de um BitTorrent? Deverá ser denunciado pelos provedores? Ou para evitar problemas será simplesmente proibido por quem garante o acesso?

Como fica o uso da TV Miro (www.getmiro.com/)? Os provedores deverão se intrometer no fluxo de imagens e pacotes baixados pelo aplicativo da TV Miro? E um podcast? Como o provedor saberá se não contém músicas que violam o copyright? Se o arquivo trazer músicas sem licença, o provedor poderá ser denunciado por omissão? Pelo não cumprimento da lei?

O PLC incentiva o temor, o vigilantismo e a quebra da privacidade. Prejudica a liberdade de fluxos e a criatividade. Impõe o medo de expandir as redes.

O artigo 22 do projeto deve ser integralmente REJEITADO.

(iii) Art. 22
Art. 22. O responsável pelo provimento de acesso a rede de
computadores é obrigado a:
I - manter em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de três anos, com o objetivo de provimento de investigação pública formalizada, os dados de endereçamento eletrônico da
origem, hora, data e a referência GMT da conexão efetuada por meio de rede de computadores e por esta gerados, e fornecê-los exclusivamente à autoridade investigatória mediante prévia
requisição judicial;
II - preservar imediatamente, após requisição judicial, no curso de investigação, os dados de que cuida o inciso I deste artigo e outras informações requisitadas por aquela investigação, respondendo civil e penalmente pela sua absoluta
confidencialidade e inviolabilidade;
III - informar, de maneira sigilosa, à autoridade competente, denúncia da qual tenha tomado conhecimento e que contenha indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público
incondicionado, cuja perpetração haja ocorrido no âmbito da rede de computadores sob sua responsabilidade.
§ 1° Os dados de que cuida o inciso I deste artigo, as condições de segurança de sua guarda, a auditoria à qual serão submetidos e a autoridade competente responsável pela auditoria, serão
definidos nos termos de regulamento.
§ 2° O responsável citado no caput deste artigo, independentemente do ressarcimento por perdas e danos ao lesado, estará sujeito ao pagamento de multa variável de R$
2.000,00 (dois mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) a cada requisição, aplicada em dobro em caso de reincidência, que será imposta pela autoridade judicial desatendida, considerando-se a natureza, a gravidade e o prejuízo resultante da infração, assegurada a oportunidade de ampla defesa e contraditório.
§ 3° Os recursos financeiros resultantes do recolhimento das multas estabelecidas neste artigo serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, de que trata a Lei n° 10.201, de
14 de fevereira de 2001.


VEJA O OUTRO exemplo de artigo aprovado no PLC:

(i) Art. 2o (ref. art. 285-A)
Art. 285-A. Acessar rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização do legítimo titular, quando exigida:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Parágrafo único. Se o agente se vale de nome falso ou da utilização de identidade de terceiros para a prática do crime, a pena é aumentada de sexta parte.

Este artigo criminaliza o uso de redes P2P e até mesmo a cópia de uma música em um i-pod. Ao escrever que o acesso a um "dispositivo de comunicação" e "sistema informatizado" sem autorização do "legítimo titular", ele envolve absolutamente todo tipo de aparato eletrônico. Se a empresa fonográfica escreve, nas licenças das músicas que comercializa, que não admite a cópia de uma trilha de seu CD para um aparelho móvel, mesmo que seu detentor tenha pago pela licença, estará cometendo um crime PASSÍVEL DE PENA DE RECLUSÃO DE 1 A 3 ANOS.

O projeto de lei é tão absurdo que iguala os adolescentes que compartilham músicas aos crackers e suas quadrilhas que invadem as contas bancárias de cidadãos ou o banco de dados da previdência.

Friday, June 20, 2008

McCAIN USA MÚSICA DE VIDEO GAME, MAS COMPOSITOR APÓIA OBAMA.


O candidato a presidente dos Estados Unidos John McCain usou em um de seus vídeos de campanha a trilha sonora de um game muito popular chamado Medal of Honor. McCain fala no vídeo da participação de sua família nas guerras e também da sua prisão no Vietnã ao som da trilha musical do game. É interessante observar o grande peso da cibercultura em uma das principais campanhas políticas do planeta.

O portal Game Politics trouxe uma declaração de descontentamento do artista Christopher Lennertz, compositor da música. Lennertz afirma que seu apoio é para Barack Obama. Sua frase final é "As an artist, business owner, and patriot, I proudly support Senator Barack Obama for the Presidency of the United States of America."

A batalha promete esquentar...

Monday, June 16, 2008

ATÉ A CÂMARA DOS LORDES ABRIU UM CANAL NO YOUTUBE



Não foi somente a Rede Globo que abriu um canal no Youtube...
A tradicional Casa Legislativa do Reino Unido, a Câmara dos Lordes, há mais de um mês possui um canal no Youtube (http://br.youtube.com/ukparliament). Composta por 706 membros da nobreza (Lordes Temporais), 2 arcebispos e 24 bispos da Igreja Anglicana (Lordes Espirituais), a Câmara é a mais alta corte de apelação na maioria dos processos judiciais do Reino Unido.

Em busca de uma maior interatividade com os súditos da Rainha, os Lordes e Baronesas perceberam que é indispensável estar na rede. Com vídeos produzidos profissionalmente, os temas abordados ainda são genéricos e autopromocioais, mas tudo indica que o caminho é irreversível.

É interessante perceber que o ato da Câmara do Lordes consolida o canal de vídeo no Youtube como um espaço também para informações de grande importância civil. Além disso, sinaliza que nem mesmo os tradicionais Lordes ingleses podem deixar de reconhecer o inegável do poder desse repositório audio-visual formado pelos internautas.

Enquanto isto no Brasil, alguns Ministros do TSE querem proibir o uso do Youtube e das redes sociais nas eleições. Lamentável...

Sunday, June 15, 2008

DIA 17 DE JUNHO, TERÇA, BAIXE O FIREFOX 3. AJUDE O FIREFOX A BATER O RECORD MUNDIAL DE DOWNLOADS...


Vamos bater todos os recordes. Dia 17 de junho, terça próxima, ao baixar a nova versão do Firefox, além de ter o melhor navegador do planeta em sua máquina, você estará colaborando com a mobilização de torná-lo o software com o maior número de downloads já obtidos em um único dia.

Quem já tem o Firefox não deve esquecer de baixar a nova versão, o insuperável FIREFOX 3.

A mobilização colaborativa cresce.
Vamos mostrar a força do compartilhamento do conhecimento.

Ajude a divulgar o FIREFOX DAY. Vá ao site do Firefox e insira um botão de atualização em seu site ou blog.

Thursday, June 12, 2008

ONDE TERMINA MEU HIPERTEXTO?


Observe a confusão que irá causar a Resolução 22.718, do TSE, que restringe a campanha dos candidatos na Internet a um domínio ".can". Sua base é a absurda equiparação da Internet aos demais meios de comunicação. Desde quando um broadcasting, unidirecional e de baixa interatividade, como a TV, pode ser comparado a uma rede descentralizada, sem limite de criação de sites e conteúdos, transnacional e de alta interatividade?

Mas, onde estará a maior confusão? No juiz de um dos mais de 5 mil Municípios brasileiros tendo que decidir onde termina o hipertexto do site de um candidato. Explico. Se um vereador abrir um site no domínio ".can" e linká-lo com a webTV_vereador, mantida por seu amigo correligionário nos canais gratuitos do Youtube, estará ele infringindo a Resolução? Onde termina o hiperlink em uma rede repleta de pontes?

Quem está assessorando a Justiça Eleitoral pensou como evitar interpretações abusivas e arbitárias do que é um domínio, um site e um link? Com o propósito de controlar a todo custo, os defensores dessa absurda medida, estarão na verdade desmoralizando uma norma. Normas inaplicáveis geram ações arbitrárias.



Mesmo que o canal no Youtube seja assumido oficialemnte pelo candidato, estaria ele violando a Resolução ao

Wednesday, June 11, 2008

PERGUNTA AO TSE: SE NÃO DÁ PARA CONTROLAR A INTERNET POR QUE A RESOLUÇÃO No 22.718 AINDA NÃO FOI ALTERADA?

Estão me perguntando se a decisão dos Ministros do TSE sobre a consulta realizada deputado federal José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG) sobre a propaganda na rede, teria sido a de liberar o uso da Internet na eleições.

Não assisti o debate entre os Ministros, mas fui informado que vários deles tiveram um posicionamento correto e bem informado. Todavia, o debate e uma decisão sobre uma consulta não altera a Resolução No 22.718.

A Resolução continua proibindo que os candidatos utilizem as redes sociais (orkut, youtube, flickr, twitter), as ferramentas colaborativas (wikis, drupal, etc) e a blogosfera.

Quando o TSE vai alterar a Resolução?????

O tratamento da Internet na Resolução 22.718 desmonta todo o esforço democratizante e modernizante do próprio TSE.

Tuesday, June 10, 2008

RESOLUÇÃO DO TSE PROIBE USO DA INTERNET 48 HORAS ANTES DAS ELEIÇÕES. ONDE ESTÃO OS PARTIDOS QUE DEVERIAM DEFENDER A DEMOCRACIA?



Um dia antes das eleições, você pode receber uma carta pelo correio contendo as cédulas com o número do candidato. Você pode usar uma camiseta com o nome e o número de seu vereador no próprio dia da votação. Você pode ir ao comitê do seu candidato para pegar o número dele ou um folheto qualquer para levar para sua amiga ou amigo, também no dia do pleito.

Entretanto, os candidatos não podem manter seus sites no dia das eleições. Não pode deixar nada na rede. Veja o artigo 4o da RESOLUÇÃO No 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral:

Art. 4o É vedada, desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição, a veiculação de qualquer propaganda política na Internet, no rádio ou na televisão – incluídos, entre outros, as rádios comunitárias e os canais de televisão que operam em UHF, VHF e por assinatura –, e, ainda, a realização de comícios ou reuniões públicas (Código Eleitoral, art. 240, p. único).

Tenho alertado que o TSE está sendo muito mal orientado, pois está confundindo a Internet com TV e Rádio, ou seja, está tratando a rede como mass media. Este artigo deixa claro que o seu redator considera que a esfera pública interconectada é igual a esfera pública controlada pelas mídia de massas. Infelizmente, o Brasil avançado das eleições eletrônicas é o país que quer obscuramente restringir o uso da rede até para informações básicas aos eleitores.

O que o TSE espera ao proibir um site de permanecer na rede no dia das eleições? É ineficaz para coibir o poder econômico. Não evita boatos que podem ser lançados por anônimos ou perfis falsos na rede. Não garante esclarecimento algum ao eleitor. Não evita boca-de-urna presencial. O que ele quer? Evitar que se influencie os eleitores?

Mas a Internet não é broadcasting. O site não vai até você. Você vai até ele. Que mal há em um eleitor indeciso de visitar o site dos candidatos na véspera das eleições ou no dia da votação? Qual o problema de se consultar o programa do candidato um dia depois do pleito?

Sem dúvida, a rede democratizou a esfera pública, mas é preciso que as autoridades acompanhem o que está ocorrendo. O TSE precisa observar melhor os princípios que regem a comunicação de massas e a comunicação em rede. Para eles, dedico a frase de Douglas Rushkoff no texto Open Source Democracy: é preciso perceber como a comunicação online está mudando a política offline.

Monday, June 09, 2008

ADULTOS APRENDEM A ESCREVER NO COMPUTADOR E CRIAM VERBETE NA WIKIPEDIA


ALFABETIZAÇÃO COM COMPUTADORES E COM SOFTWARE LIVRE

A professora Bianca Santana, jornalista pela Cásper Líbero, ativista de redes sociais, acumulou muita experiência no uso das redes digitais em processos de aprendizagem. Como voluntária do projeto de alfabetização de adultos chamado Ilha de Vera Cruz convenceu a instituição a adquirir 9 laptops EEE PC para alavancar o aprendizado dos seus alunos.

Ela percebeu que muitos adultos tinham medo do papel, demonstravam uma certa vergonha de errar e de apagar várias vezes o seu texto. Com o computador, os estudantes passaram a escrever mais e melhor. Também aprenderam a pesquisar na Internet e a postar seus conteúdos na rede.

O sucesso da experiência foi tão grande que os seus alunos até já criaram um post na wikipedia. Discutiram, pesquisaram e colaboraram com a maior enciclopédia do mundo. Estão mais confiantes e orgulhosos, pois podem ver seu trabalho ajudando outras pessoas.

Veja o blog do projeto AQUI.
http://portuguesilha.wordpress.com/2008/06/06/verbete-dos-alunos-na-wikipedia/

Veja aqui o post na wikipedia.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tenond%C3%A9_Por%C3%A3

CONHECIMENTO LIVRE

O EEE PC veio com Gnu/Linux, Firefox e OpenOffice instalados, ou seja, com software livre. Logo em seguida, os técnicos de TI da escola quiseram instalar windows nas máquinas. A prof Bianca mostrou a incoerência de usar software de código-fonte fechado em uma escola. Esclareceu que eles deveriam incentivar o uso de software aberto, uma vez que é baseado no compartilhamento do conhecimento tecnológico. Além disso, os jovens técnicos testaram as máquinas e perceberam que o software livre "dava conta" de todas as exigências do processo de ensino e aprendizado. Então, por que utilizar software proprietário? No início da conversa, um dos técnicos ainda falou: "posso ligar para um programa escola aberta da micro$oft e pedir licenças gratuitas". A professora Bianca mostrou que não existe escola aberta com conhecimento fechado. Parabéns ao Ilha de Vera Cruz. Parabéns para a professora Bianca.

ANTROPÓLOGA GABRIELLA COLEMAN FALARÁ SOBRE CONSCIÊNCIA HACKER NA UFRGS

Palestra com a antropóloga Gabriella Coleman, professora da New York University (NYU)

Quando: Sexta-feira, dia 13 de junho, às 9h
Onde: Auditório do ILEA, Campus do Vale - UFRGS
Entrada: Gratuita
Transmissão web: tv.softwarelivre.org


Revoluções Silenciosas:
O Irônico Surgimento do Software Livre e de Código Aberto
e a Construção de uma Consciência Legal Hacker

A palestra oferece uma análise antropológica e histórica do surgimento da comunidade de software livre e de código aberto, procurando mostrar como, ao longo de duas décadas, hackers e entusiastas do software livre garantiram para si um domínio de autonomia legal para a produção de software. Em uma época marcada por profundas transformações no regime de Propriedade Intelectual, a comunidade de software e de código aberto se organiza cultivando uma acentuada consciência das transformações no âmbito legal. O objetivo da palestra é o de demonstrar como e quando se cruzaram as trajetórias parcialmente independentes das transformações nas leis de propriedade intelectual com a consolidação do "movimento" de software livre, para se tornarem histórias inseparáveis voltadas à disputa pelo futuro das tecnologias - especialmente o computador pessoal e a Internet. Com este foco, será discutida uma nova prática social de produção de tecnologia que fornece uma nova visão de mundo insurgente e que desafia as justificativas neoliberais que animam a expansão das leis de propriedade intelectual. Nesta discussão, ao invés de oferecer histórico abrangente, serão apresentados exemplos selecionados da história do movimento de software livre e da globalização das leis de propriedade intelectual, com vistas à caracterização da prática de produção, distribuição e utilização de Software Livre e de Código aberto nos Estados Unidos.



A Palestrante:

Gabriella Coleman é uma antropóloga que estuda o papel do direito e das novas tecnologias na extensão de valores liberais e sustentação de novas formas de ativismo político. Entre 2001-2003 ela conduziu estudo etnográfico sobre hackers primeiramente e sobre o projeto Debian.

Em 2005-2006 ela foi membro do "Center for Cultural Analysis" da Universidade Rutgers e ano passado realizou um pós-doutorado na Universidade de Alberta. Ela está trabalhando no livro "Coding Liberal Freedom: Hacker Pleasure and the Ethics of Free and Open Source Software" e está iniciando um novo projeto sobre o ativismo na internet de sobreviventes de instituições psiquiátricas. Ela já foi premiada com muitos prêmios e recursos para pesquisa, dentre eles o da National Science Foundation, da Woodrow Wilson Foundation e do conselho de Pesquisa em Ciências Sociais.

Saturday, June 07, 2008

OBAMA E O OPENOFFICE


Um blogueiro norte-americano chamado Phil Shapiro, educador em Washington DC, escreveu recentemente que um dos primeiros atos executivos de Barack Obama pode ser implementar o OpenOffice como padrão da administração pública federal norte-americana. Escrevi para amigos que fazem a campanha de Obama para saber se isto pode, de fato, acontecer.

É interessante reafirmar que o padrão de documentos abertos ODF, que já é uma norma ISO, foi implementado pelo OpenOffice. Vários governos estão discutindo a adesão ao OpenOffice, exatamente porque o formato aberto, não-proprietário e internacional que utiliza garante que textos e planilhas feitas hoje possam ser abertas no futuro, independentemente de um produto ou da política de uma empresa.

Monday, June 02, 2008

CIBERCULTURA: ABCiber realizará Simpósio Nacional na PUC-SP


A II reunião do Conselho Científico Deliberativo da ABCiber (Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura) começou hoje, dia 2 de junho, na PUC. Presidida pelo Professor Eugenio Trivinho, a ABCIBER irá realizar o II Simpósio Nacional no mês de novembro, na PUC-SP. Provavelmente, a chamada de trabalhos sobre os temas e abordagens da cibercultura ocorrerá ainda na primeira quinzena de junho. Em breve, a diretoria da ABCiber iniciará uma campanha para a admissão de novos associados. Todos os pesquisadores da cibercultura podem participar da associação que tem caráter multidisciplinar.

Logo postarei aqui o endereço eletrônico da ABCiber.

Saturday, May 31, 2008

W3C INAUGURA, NA QUARTA, ESCRITÓRIO NO BRASIL


O W3C, responsável pelo desenvolvimento da web, terá um escritório no Brasil. Isto é fundamental, pois a sociedade da informação desenvolveu sua comunicação baseada em intermediários que dependem de códigos. Não é por menos que Lessig afirmou que no ciberespaço "o código é a lei". Acompanhar e participar do desenvolvimento dos padrões é essencial.

Recebi o seguinte convite eletrônico:

O Consórcio W3C, entidade internacional com a missão de definir orientações e padrões para a Web, tem o prazer de convidá-lo para o evento internacional de lançamento de seu escritório no Brasil, no dia 4 de junho de 2.008, quarta-feira, a partir das 11hs no auditório do Centro de Convenções Fecomércio, na Rua Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo, SP (ao lado da Av. 9 de Julho e da Fundação Getúlio Vargas).

Agenda:

Vídeo mensagem
* Tim Berners Lee, criador da Web e diretor do W3C
"O uso adequado da Web para se chegar ao Governo Eletrônico 2.0"
* Jose Manoel Alonso, Líder da Atividade eGoverno, W3C/CTIC
Painel: "Internet & Web: passado, presente e futuro"
* Daniel Dardailler, diretor de relações internacionais, W3C
* Stéphane Boyera, Líder da Atividade Web Móvel para o Desenvolvimento, W3C Mobile Web Initiative
* Demi Getschko, diretor-presidente, NIC.br e conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil

Credencial de acesso estará à sua disposição na recepção do evento desde que confirme sua presença através do e-mail: cecconi@nic.br.

O W3C Escritório Brasil é uma iniciativa do NIC.br e do CGI.br. Outras informações podem ser obtidas em http://www.w3c.br/2008/lancamento/

Thursday, May 29, 2008

JUSTIÇA ELEITORAL INVADE O TERRENO QUE NÃO É SEU E CENSURA BLOGUEIROS. GRAVE INGERÊNCIA CONTRA A LIBERDADE DE OPINIÃO.



Não concordo nem um pouco com a candidatura do Gabeira, mas isso não me dá o direito de impedir que as pessoas, que com ela concordam, discutam a necessidade de sua candidatura. O objetivo da esfera pública é o debate entre os cidadãos sobre as escolhas que definem os destinos de sua cidade, estado, nação e planeta. Em vez de incentivar o espítito deliberacionista, a discussão política sobre as melhores alternativas para os governos, a Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro age contra o direito de opinião e o uso público da razão. Ela acaba de exigir que Gabeira mande os blogueiros retirarem os banners que declaravam seu apoio. Um ato de confusão e censura. Isto é o que dá, não termos reagido com a força necessária a Resolução do TSE que restringe o uso da Internet nas eleições deste ano. O pior é que fui a um debate na TV Cultura e vários partidos se comprometeram a lutar contra a aburda proibição do uso livre das ferramentas e sites de relacionamento na rede mundial de computadores (que agora envolve celulares). Estão tratando a rede como broadcasting. Temos que protestar. Estão extrapolando as suas funções judiciárias. Estão querendo limitar o uso da esfera pública interconectada.

Veja o que o Pedro Dória escreveu em seu blog:


"Ordem judicial não se discute. Se cumpre.

Este Weblog lançou, há alguns meses, uma campanha pedindo que um deputado federal se lançasse candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. Aconteceu e ele é candidato.

Hoje, o deputado foi intimado por conta do banner que este e outros blogs publicam em apoio a sua candidatura. O TRE-RJ exige que seja retirado do ar. Em caso contrário, corre o risco de ter sua candidatura cassada.

Nenhum político paga por este banner. É uma declaração de voto pessoal de minha parte. O banner leva a um argumento pela sua candidatura. É o meu direito como cidadão de manifestar o que penso, qual o caminho que desejo para minha cidade. Ninguém deve ser punido porque exerci meu direito de cidadão em uma democracia de manifestar minha opinião.

Mas a Justiça considerou que deve impor limites ao meu direito de expressar minha opinião. É um fato grave.

O Weblog é um veículo jornalístico. Eu sou jornalista. O gesto do Tribunal é uma censura à liberdade de imprensa."

Wednesday, May 28, 2008

VEJA UM EXEMPLO DO QUE O TSE QUER PROIBIR NA CAMPANHA ELEITORAL DESTE ANO...


O candidato conservador à Prefeitura de Londres, Boris Johnson, como tantos outros, utilizou em sua campanha o youtube para construir seu próprio canal, ou seja, sua própria TV na web. Isto sem pagar nada! Talvez tenha pago o design, mas qualquer garoto ou garota poderia fazer usando as próprias ferramentas de customização do youtube.
Ah! Ele ganhou as eleições. Uma pena porque é um conservador...
Bom, isto está proibido no Brasil. No final, a Resolução do TSE acabará impedindo que os candidatos sem recursos possam ter as mesmas condições de disputa dos candidatos com recursos.
Veja o canal que Boris Johnson usou na campanha.

Saturday, May 24, 2008

NOKIA N810 acessa redes WI-FI


São impressionante as descrições. O Nokia N810 acessa redes Wi-Fi e permite ligações via Skype.
O nome inteiro do aparelho é Nokia N810 Internet Tablet e trabalha com a distribuição OS 2008 Linux baseada no Maemo, projeto de desenvolvimento de software aberto para aparelhos móveis.

Monday, May 19, 2008

ODF É NORMA BRASILEIRA DE ACORDO COM ABNT


O padrão de documentos abertos ODF já está internalizado no Brasil. Isto quer dizer que a partir de agora, podemos exigir que a CAPES, o CNPq e todas as instituições públicas que trabalham com documentos utilizem o padrão da ABNT, ou seja, o padrão ODF.

Assim, ficará assegurada a interoperabilidade e a comunicabilidade, independente do software que as pessoas utilizarem. Além disso, a Lei de Defesa do Consumidor assegura que na existência de uma norma da ABNT ela deve ser incorporada pelos produtos.

Segundo o site do Cassino, metalpolítica: A ABNT NBR ISO/IEC 26300 - Tecnologia da informação - Formato aberto de documento para aplicações de escritório (OpenDocument) v1.0, foi publicada no dia 12/05/2008 e se encontra disponibilizada para aquisição no site da ABNT.

A norma podem ser encontrados no site da ABNT.

Friday, May 16, 2008

WIKIMANIA 2008 SERÁ EM ALEXANDRIA


Entre os dias 17 e 19 de julho próximos, Alexandria vai sediar a Wikimania 2008. Nenhum lugar poderia ser mais adequado simbolicamnente para hospedar o encontro dos colaboradores da maior enciclopédia já construída pela humanidade.

No site oficial da Wikimania você poderá obter todas as informações. Abaixo uma pitadinha de informação que retirei do site:

O que é a Wikimania?

A Wikimania é uma conferência periódica para todos os Wikimedianos que contribuem nos projectos da Wikimedia Foundation. Conferências passadas foram organizadas em cidades populares espalhadas pelo mundo, tais como Frankfurt, na Alemanha (website da Wikimania 2005), Boston, nos EUA (website da Wikimania 2006) e Taipei, na Formosa (website da Wikimania 2007).

Wednesday, May 14, 2008

DESASTRE AMBIENTAL


Não bastou aprovar a invasão dos transgênicos na agricultura, não bastou assistir o aumento da devastação da Amazônia, o governo atual dá demonstrações de obscurantismo na área ambiental. Sem força, sem o apoio da articulação central do governo, Marina Silva já estava há muito tempo paralisada. Caiu. Interessante é notar que o núcleo duro do governo é nitidamente insensível à defesa do meio ambiente. Infelizmente a questão ambiental nunca sensibilizou Lula e seu grupo mais próximo. Os fatos recentes são sinais positivos para os degragadores, quem perde é a sociedade e a idéia de sustentabilidade. Esta palavra, que não tem nada a ver com capacidade de sustento financeiro, tem sido desgastada pelo uso indevido pelas forças do mercado e pelo marketing inconsequente. Sustentabilidade é a evolução do conceito de desenvolvimento sustentável que por sua vez é a superação da idéia de crescimento econômico a qualquer preço. A sustentabilidade é a capacidade de viver e ampliar a qualidade de vida da sociedade sem acelerar o ritmo entrópico que desagrega e destrói ecossistemas atuais.
Estamos mal, mas podemos ficar mais vigilantes e ativos. A questão ambiental tem que virar uma pauta política importante.

Sunday, May 11, 2008

IP Móvel e conectividade ubíqua


Sim, é possível montar uma grande rede mash em que os aparelhos (celulares, computadores, laptops, palms, pen-computers, etc) em movimento se comuniquem diretamente uns com os outros sem intermediários. Para tal é preciso que as máquinas possam encontrar as outras usando um esquema de IPs, tal como na Internet, mas a diferença é que estes IPs estarão em movimento. Para que a comunicação ganhe agilidade é melhor que possam estar georeferenciados. Desse modo poderão ser velozmente encontrados pelos roteadores que deverão estar cada vez mais distribuídos.

Os entraves desta comunicação baseada no P2P e na mobilidade é que os aparelhos em movimento gastarão muito mais energia, pois estarão constantemente retransmitindo os sinais de outras máquinas. Em uma comunicação como esta, cada aparelho transforma-se em uma antena retansmissora, em um ponto da conexão ubíqua e também em um roteador que redirecionará o sinal para a direção correta e o amplificará. Cada vez que fizer isto gastará energia. É preciso enfrentar este problema.

Se a sociedade da informação baseia-se na intensa troca de bens informacionais, na comunicação digital enredada, portanto, a redução da necessidade de gastos com comunicação ampliam as possibilidades da inserção das camadas pauperizadas no cenário informacional, baixam os custos para criar conteúdos na rede, aumentam as possibilidades da Educação e diminuem os gastos para gerar serviços digitais. A diversidade cultural é ampliada em um contexto de "gift economy".

Monday, May 05, 2008

BRICOPHONE: INFRA COMUNITÁRIA PARA CELULAR OPEN SOURCE



Publiquei este artigo na coluna raitéqui da Revista A Rede de 18 de Abril de 2008:

Projeto prevê solução de código e hardware abertos, baixo custo e pequeno consumo de energia.
Sérgio Amadeu da Silveira


Há alguns dias atrás, enquanto escrevia no Twitter, recebi um recado do Felipe Fonseca, um dos pioneiros da metarreciclagem no Brasil. Ele me chamava para participar do projeto Bricophone. Felipe momentaneamente está morando na Europa. Segui o link deixado por ele e acabei estudando o projeto. Para minha grata surpresa, descobri que Paulo Hartman, um dos organizadores do Mobilefest é também um dos disseminadores do projeto no Brasil. O projeto Bricophone é uma ação nômade, libertária, baseada nas vastas possibilidades do digital. Nesta coluna, resolvi traduzir as principais partes do projeto e incluir alguns comentários. Sem dúvida, o projeto traz uma grande idéia.

Mas o que é o Bricophone? É um projeto de código e hardware abertos, pensado para um pequeno consumo de energia e baixo custo, voltado para comunidades inferiores a mil pessoas, em regiões distantes. A grande idéia do Bricophone é que ele não necessita de uma infra-estrutura estática, como relés (relays), antenas e centrais de dados. Sua particularidade permite um uso especial de equipamentos de comunicação em áreas pobres, bem como para realizar resgates em áreas afetadas por desastres, e também para o uso em atividades sociais e culturais, como festivais e eventos de massa. Como se trata de um projeto open source, o Bricophone pretende ser construído pelos usuários ou por artesões digitais.

Onde surgiu a idéia? Como ela foi sendo conceitualmente construída? O projeto começou em Paris, no início de 2007, no Centre de Ressources Art Sensitif. A idéia original veio da denúncia e do chamado dos índios da Amazônia que lutam contra os mineradores de ouro, dos professores que protestavam em Oaxaca, dos agricultores que combatiam as minas de cobre no Peru, da organização dos protestos contra o G8 e a OMC, e da necessidade de agir nas diferentes recentes catástrofes naturais, como furacões em áreas tropicais, grandes apagões de energia nos Estados Unidos, terremotos, tsunamis no Oceano Índico, além de em muitas outras zonas em que os direitos humanos e a liberdade de expresssão não são respeitados.

No documento que detalha o projeto, os seus idealizadores avisam que o projeto Bricophone não é uma alternativa para a infra-estrutura regular de celulares, nem um telefone celular open source para carros e redes telemóveis, enfim, não se trata de um Linux-phone project. O Bricophone não é outro projeto de webfone ou celular via IP. É uma técnica, uma política economicamente independente de telefonia móvel, a partir do atual sistema de telefones celulares. A idéia é tentar abrir todas as possibilidades técnicas e éticas de garantia da liberdade de expressão.

Características

O objetivo da infra-estrutura Bricophone é somente a comunicação de voz. Funciona com as novas tecnologias de rede de sensores sem-fio, utilizadas na indústria de equipamentos. As principais características dessas novas tecnologias são as redes Mesh, serem de baixo custo e com consumo de energia extremamente baixo. Estas três características técnicas são a chave das potencialidades do projeto:

• Rede Mesh (ou malha, em português) segue um desenho em que cada ponto pode rotear (encontrar a rota e enviar) informações diretamente para qualquer outro ponto da mesma rede de conexão. O encaminhamento das informações é feito automaticamente, como na internet, através da escolha do melhor caminho entre os dispositivos conectados na rede. Desse modo, uma pequena quantidade de bricophones, não muito distantes uns dos outros, podem automaticamente construir uma rede operacional. Quanto mais bricophones entrarem na área de conexão, mais extensa ficará a rede.

• O Baixo Custo dos chips wireless viabiliza o projeto. Ele permite a conexão de diferentes equipamentos e dispositivos, pontos de acesso, roteadores de sinais e o próprio aparelho bricophone, garantindo as chamadas via internet. O baixo custo aliado à relativa simplicidade do hardware permite que as comunidades de usuários inventem novas possibilidades de uso, tal como se pode observar no projeto Arduino (hardware com sensor e processador que permite criar interfaces artísticas).

• O Baixo Consumo de energia permite a utilização da energia solar, eólica ou energia muscular (dínamo de bicicleta), ou baterias mais ambientalmente amigáveis. Os roteadores de baixo consumo de energia podem ser abastecidos em cima das árvores e de prédios com placas de energia solar ou baterias que podem durar muitos meses.


Evolução

Os primeiros trabalhos técnicos e consultas ocorreram durante 2007, através da rede Bricolabs (www.bricolabs.net). Rob Von Kranenburg realizou vários contatos com desenvolvedores de alta qualidade. Logo aderiram ao projeto: Philippe Langlois, artista do site xlrmx.org, engenheiro de rede e artista; Denis Jaromil, artista do Dyne.org envolvido com a possibilidade de aplicar técnicas Netsukuku no Bricophone; Rama Cosentino, artista de Giss.tv, Hackitectura.net e riereta.net; Cyrille Henry, artista envolvido no Pure Data Community (open source para artistas) e outras personalidades do mundo da cibercultura e da tecno-arte. A coordenação global é dirigida por Jean-Noël Montagné, artista do artsens.org.

Alguns workshops já foram realizados, inclusive em São Paulo, durante o Mobilefest, em novembro de 2007. Como muitos projetos de software aberto e livre, o futuro do Bricophone depende da ação da comunidade e da adesão de hackers, artistas, educadores, estudantes, curiosos, amantes da liberdade e do conhecimento. O projeto continua a crescer, e os próximos passos precisam de apoio, principalmente para:
• desenvolver um website multilíngüe, substituindo o primeiro www.bricophone.org;
• instalar ferramentas de comunicação para a comunidade, como wiki, código repositório, fórum, mailing list;
• realizar workshops de prototipagem em hardware, software e ferramentas, com as comunidades espalhadas em Paris, São Paulo, Bruxelas, Amsterdã, Sheffield, Barcelona, e em todas as cidades em que ativistas e militantes da liberdade de expressão e de conhecimento queiram participar do projeto.

Saturday, May 03, 2008

GIBI HACKERTEEN É UM DOS MAIS VENDIDOS NOS ESTADOS UNIDOS


O Gibi criado pelo brasileiro Marcelo Marques, da 4Linux, sobre uma ficção envolvendo jovens hackers está entre os três mais vendidos do gênero nos Estados Unidos. O gibi surgiu como uma forma de consolidar o processo educativo da escola de jovens administradores de sistemas de segurança criado pela 4Linux e também chamado Hackerteen. O Gibi foi lançado pela O'Reilly e procura mostrar no estilo mangá quais os elementos essenciais da cultura e da ética hacker.

No site da Amazon você poderá ver até um vídeo sobre o gibi.

Wednesday, April 30, 2008

EXPLORAÇÃO DE FALHAS DE SEGURANÇA FAZ PARTE DA DISPUTA OBAMA X CLINTON


O pesquisador de segurança Harry Sintonen mostrou uma sequência de ataques utilizando cross-site scripting. Depois de ataques que ocorreram no site de Obama, Hillary Clinton foi vítima de uma vulnerabilidade que levou sua URL a abrir o site do seu adversário.

Injetaram no site de Clinton (votehillary.org.) o conteúdo de Barack Obama como mostra a imagem acima. Embora as falhas tenham sido exploradas de modo a inverter e a cruzar conteúdos e endereços, Sintonen alerta que os cross-site scripting podem ser utilizados de modo mais perigoso. Pode inclusive afetar o sistema de contribuições financeiras pela Internet.

Leia mais:
http://news.netcraft.com/archives/2008/04/24/clinton_and_obama_xss_battle_develops.html

Monday, April 28, 2008

MÚSICAS LIVRES SUPERAM 8748 ÁLBUNS SOMENTE NO JAMENDO


O números são expressivos. Artistas, compositores, instrumentistas, cantores, produtores, perceberam que o melhor modo de distribuir suas músicas é na Internet. Os números de um os principais repositórios de músicas licenciadas em creative commons, o site Jamendo, são impressionantes:

8749 álbuns publicados
55118 resenhas de álbuns
323.140 membros ativos

Parece que as práticas colaborativas e o compartilhamento de músicas pela rede estão se tornando extremamente relevantes. A indústria da intermediação não consegue mais ser a guardiã do acesso aos músicos e suas composições. Hoje, todos os artistas podem atingir diretamente seus fãs sem cobrança de pedágios, sem custos desnecessários.

O avanço das novas tecnologias criadas por grupos sociais, são constantemente reconfiguradas e geram novas situações em que os próprios grupos nem sempre previram. As redes digitais são meios de compartilhamento veloz de arquivos digitais. A música digitalizada nas redes de alta velocidade parece nos conduzir ao desaparecimento de parte da indústria da intermediação.

Quem quiser se aprofundar no tema do futuro da música pode ler um dos vários artigos no site do Firts Monday:

Digital music and subculture: Sharing files, sharing styles by Sean Ebare


In this paper I propose a new approach for the study of online music sharing communities, drawing from popular music studies and cyberethnography. I describe how issues familiar to popular music scholars — identity and difference, subculture and genre hybridity, and the political economy of technology and music production and consumption — find homologues in the dynamics of online communication, centering around issues of anonymity and trust, identity experimentation, and online communication as a form of "productive consumption." Subculture is viewed as an entry point into the analysis of online media sharing, in light of the user–driven, interactive experience of online culture. An understanding of the "user–driven" dynamics of music audience subcultures is an invaluable tool in not only forecasting the future of online music consumption patterns, but in understanding other online social dynamics as well.

... YOU WOULDN'T STILL IT AGAIN... VEJA COMO É A CAMPANHA ANTI-PIRATARIA


Recebi um aviso de que um vídeo no youtube satirizava a campanha anti-pirataria da MPAA e da RIAA. De fato, o vídeo é sensacional. Vale a pena você assistir: The IT Crowd

Sunday, April 27, 2008

TWITTER SALVA ESTUDANTE DA PRISÃO.


O estudante de Berkeley, James Karl Buck realizava a cobertura de uma manifestação anti-governamental em Mahalla, no Egito, quando foi preso pelas forças policiais no último 10 de abril. No caminho da estação policial, Buck conseguiu pegar o seu celular e postar uma mensagem no twitter, um dos micro-blogging mais utilizados no planeta.

O post de Buck dizia "arrested", ou seja, "preso". Como muitos de seus amigos sabiam que ele estava no Egito, ao ler sua mensagem, imediatamente, começaram a se mobilizar e acionaram entidades e a embaixada dos Estados Unidos, em Cairo.

Buck foi solto, mas o tradutor que o acompanhava, o egípcio Mohammed Maree, ainda continua preso. Buck está pedindo apoio para libertar Maree e conta para isso com muitos blogueiros que ajudaram a soltá-lo.

Este é um dos vários casos em que a comunicação móvel está sendo utilizada para ampliar a cidadania. Nanoblogs, celulares e laptops, em um ambiente de convergência digital são também instrumentos de uma nova esfera pública, pervasiva, transncional e baseada na mobilidade.

Leia na CNN a matéria Student 'Twitters' his way out of Egyptian jail.

DICA PARA INSTALAÇÃO DO UBUNTU NO SONY VAIO VGN-NR385E


Fui instalar o Ubuntu no Sony Vaio VGN-NR385E. O modo gráfico não subia. Primeiro apareceu linhas azuis e depois a tela ficou levamente verde. Desliguei a máquina. Reiniciei e antes de mandar instalar aumentei a resolução da tela. Vc faz isto indo até a barra inferior e trocando o VGA pela resolução 1280x800. Depois é só ir seguindo os passos do instalador. É super rápido. Usei o Ubuntu 7.10. Não se esqueça que já saiu a nova versão.
O vaio que comprei veio com o Vista instalado. lamentável. Enquanto o Ubuntu dá o boot e realiza as operações 3D com grande velocidade, o Vista era repleto de bugs e muito mais lento. Sem dúvida, no mundo do 3D, a microsoft terá que seguir o caminho da Apple e utilizar a base FreeBSD (da família Unix, Linux). Fazia muito tempo que eu não mexia em um windows, a minha impressão é que ele piorou. Não é por menos que existe m tantos tutoriais para migrar o Vista de volta para o passado, o XP. Aconselho as pessoas antes de fzerem isto conhecerem o GNU/Linux.

Thursday, April 24, 2008

DEMI GETSCHKO FALA SOBRE A FORMAÇÃO DA INTERNET NO BRASIL E O FUTURO DA REDE



No início de abril, na Cásper Líbero, tivemos um encontro com um dos pioneiros da Internet no Brasil, Demi Getschko. A conversa passou por uma série de temas: a construção da rede no Brasil, as tentativas da indústria de intermediação de impor a lógica hierárquica, os caminhos da privacidade e da segurança, o poder dos fluxos de informação diante dos governos autoritários, as tendências atuais e o futuro da Internet, entre outros. Participaram da entrevista o Coordenador de Cultura Geral da Cásper Líbero, Prof. Claudio Arantes, o filósofo e professor da Universidade Complutense de Madri, Javier Bustamante, o pesquisador do CIP, Murilo Machado, e eu.

Os vídeos foram estão no youtube:

http://br.youtube.com/watch?v=nLjJfhHQ8XI

http://br.youtube.com/watch?v=A4h6O9AkgUQ

http://br.youtube.com/watch?v=1pfrxzyeSCs

http://br.youtube.com/watch?v=AbgEs2VWHl4

http://br.youtube.com/watch?v=RWDVOGStFIo

http://br.youtube.com/watch?v=NWayxnitOlc

http://br.youtube.com/watch?v=Msb1DdvPIH0

http://br.youtube.com/watch?v=Xr9fKaML9k8

Tuesday, April 22, 2008

RETROCESSO NA BAHIA? GOVERNO FAZ ACORDO PARA EXPANDIR PODER DO EX-MONOPÓLIO?

Enquanto a maior parte dos programas de inclusão digital utilizam software livre, será mesmo verdade que o Governo da Bahia caiu no canto da sereia da micro$oft e assinou um compromisso de retrocesso naquele Estado?

Afetada pelo crescimento do GNU/Linux e da plataforma aberta, a micro$oft buscou oferecer licenças gratuitas para aprisonar os programas educacionais e de inclusão digital a sua plataforma proprietária. O ex-monopólio mundial de software anda até dizendo que aderiu ao open source. Desesperados os dirigentes da empresa de código fechado tentam adquirir o Yahoo para entrar no mundo das redes. No início dos anos 90, Bill Gates dizia que ninguém confiaria em uma rede que não tivesse "dono". Todavia, o desenvolvimento aberto e não-proprietário da Internet frustou os planos monopolistas de Gates e derrotou a micro$oft no mundo das redes. Hoje, a micro$oft aposta em seu lobby para tentar impedir o avanço da plataforma aberta.

Enquanto o Governo do Paraná e de vários outros Estados avançam na inclusão digital com software livre, será mesmo que o governo da Bahia vai se afundar no Vista? Será que eles vão para um software que exige alto processamento, enormes custos de anti-vírus e a elevação do gasto com hardware? Enquanto o governo federal avança na sua política de software livre que levou somente o Banco do Brasil a economizar mais de 50 milhões somente com o OpenOffice, será que algumas autoridades da Bahia se encantaram com o lobby do ex-monopólio mundial de software para desktop?

Será possível? Mas, até mesmo os Democratas em São Paulo recusaram promover a migração do software livre nos telecentros para windows. Todos sabem que inclusão digital com software proprietário é inviável por representar um grande desperdício de recursos escassos. Se for verdade é também irônico. Foi a gestão anterior que implementou na Bahia o projeto de inclusão digital com software livre. Será o PT que irá retirá-lo?

O pior é que se antes as pessoas acreditavam que os empregos estavam em quem sabia windows, hoje todos sabem que faltam profissionais que conheçam open source. Os empregos e oportunidades crescem muito mais no mundo do software livre. Por isso, o ato do Governo da Bahia seria ainda mais lamentável. Estranho estas pessoas "de esquerda" que se dizem favoráveis a socialização de bens materiais e são contra o compartilhamento do conhecimento. É com elas que ex-monopólio conta para tentar articular sua política tacanha de tentar voltar um dia a ser monopólio.

Veja o link com a matéria sobre o acordo do governo da Bahia com a micro$oft.


Veja o primeiro trecho da matéria:
"Salvador - A colaboração mútua para o desenvolvimento de projetos de inclusão digital na Bahia é o ponto principal de um protocolo de intenções que o governador Jaques Wagner e o presidente da Microsoft Brasil, Michel Levy, assinam, nesta quarta-feira (23), às 14h30, na governadoria (CAB)."

THINGS HACKERS DETEST AND AVOID



No sábado, último dia 19 de abril, apresentei no FISL 9.0 algumas idéias sobre a atual conjuntura da rede mundial de computadores. Chamei a exposição de INTERNET SOB ATAQUE: AS TENTATIVAS DE CONTROLE DA REDE E O COMBATE À CULTURA HACKER.

Quando estava preparando o texto reuni uma série de materiais. Um deles é o interessante The Hacker Manifesto, escrito originalmente em 1986 (antes da rede, portanto) pelo The Mentor. Você acessa aqui. Um dos trechos interessantes que encontramos navegando pelo site é este:

Things hackers detest and avoid:

IBM mainframes. Smurfs, Ewoks, and other forms of offensive cuteness. Bureaucracies. Stupid people. Easy listening music. Television (except for cartoons, movies, the old "Star Trek", and the new "Simpsons"). Business suits. Dishonesty. Incompetence. Boredom. COBOL. BASIC. Character-based menu interfaces. Anything Microsoft.

- From the Jargon file (more or less).

Thursday, April 17, 2008

QUE MEDO! PATENTES GENÉTICAS... ABSURDO CONTROLE SOBRE SERES VIVOS


Estamos discutindo na minha aula da pós-graduação um texto do economista Jeremy Rifkin chamado A Era do Acesso. A tese de Rifkin é que estamos vivenciando a transição da era dos mercados para as era das redes. Nela, a propriedade material perderia importância para a propriedade intelectual.
Rifkin traz relatos importantes sobre como os grandes grupos tentam controlar o conhecimento e as informações. Abaixo, segue um breve trecho do livro, retirado da página 54, em que fica caracterizado o absurdo controle sobre as formas naturais de reprodução da vida:

"As empresas da ciência da vida estão fazendo uma prospecção biológica nos quatro cantos do planeta, procurando genes raros em microorganismos, plantas, animais e seres humanos que podem ser de valor comercial no desenvolvimento de uma nova colheita, criando um novo fármaco, produzindo novas fibras ou fontes de energia. Quando genes com valor comercial potencial são localizados, eles são patenteados e se tornam, aos olhos da lei, invenções. Essa distinção fundamental separa a forma como os recursos químicos eram usados na Era Industrial da maneira como os genes estão sendo usados no século da biotecnologia. Quando os químicos descobriram novos elementos químicos na natureza no século XIX, puderam patentear os processos inventados por eles para extrair e purificar as substâncias, mas não puderam patentear os elementos químicos -- as leis de patentes nos Estados Unidos e em outros países proíbem que "descobertas da natureza" sejam consideradas invenções. Nenhuma pessoa sensata sugeriria que um cientista que isolasse, classificasse e descrevesse as propriedades do hidrogênio, do hélio ou do alumínio teria direito exclusivo, durante 20 anos, a considerar as substâncias como invenção humana. De fato, em 1928, a patente do tungstênio foi pedida e negada pelo Patent and Trademark Office (PTO) dos Estados Unidos. (...) Em 1987, entretanto, violando flagrantemente os estatutos que regem as patentes sobre descobertas da natureza, o PTO emitiu decreto declarando que os componentes de seres vivos -- genes, cromossomos, células e tecidos -- são patenteáveis e podem ser tratados como propriedade intelectual do primeiro que isolar suas propriedades, descrever suas funções e enconrar aplicações úteis para eles no mercado."

A extrema mercantilização do conhecimento irá reduzir o ritmo das descobertas e invenções, ao contrário do que se diz. A base da ciência é o conhecimento livre e cumulativo. As patentes bloqueiam esta liberdade de uso. Isto é a causa do absurdo encarecimento da pesquisa na área de Biologia, uma vez que cada pesquisador tem cada vez menos acesso ao conhecimento produzido em outros laboratórios.

Sunday, April 13, 2008

PARLAMENTO EUROPEU DERROTA TENTATIVA DE BLOQUEAR P2P

O Parlamento Europeu rejeitou a proposta de impedir a prática de P2P na Europa. Os parlamentares europeus consideraram incorreto proibir que os internautas e cibercidadãos façam downloads de músicas e vídeos na Internet. A medida foi derrotada na sexta, dia 11 de abril, com 314 votos a favor e 297 contra. As restritições ao uso da Internet apresentadas à Eurocâmara eram muito parecidas com as que a França e a Inglaterra estão tentando aplicar. A partir de uma nova legislação, os governos francês e inglês querem dar aos provedores de acesso à Internet o poder de desconectar e espionar as pessoas que baixam massivamente P2P, BitTorrent, tais como o eMule.

A batalha pelo controle da Internet apenas está começando. A velha indústria cultural, que atualmente deve ser denominada de indústria da intermediação, quer bloquear os usos livres da rede e implantar na Internet uma sitação "broadcasting". Na Espanha, lei semelhante está sendo apresentada. Nos Estados Unidos, as operadoras de telefonia querem ter o controle privado dos fluxos de dados que passam por sua rede física. No Brasil, um projeto de crimes na Internet quer acabar com o uso anônimo da rede, obrigando o uso de criptografia, para satisfazer o interesse dos bancos e da indústria do copyright.

A vitória dessa batalha na Europa é um incentivo para os ativistas da rede que lutam pela liberdade de expressão e pela cidadania digital. No FISL 2008, em Porto Alegre, farei uma exposição, na sexta-feira, dia 18, denominada "Internet sob ataque". Nela. buscarei mostrar o atual cenário e a conjuntura da luta entre as forças que querem a liberdade e as que querem o controle da comunição em redes digitais.

Veja a matéria do El País: La Eurocámara rechaza penalizar las descargas. Juzga "esencial" no obstaculizar el acceso a la cultura.

Thursday, April 10, 2008

LINK DO TEXTO SOBRE A RELAÇÃO FEDORA-RED HAT


Nosso grande amigo, Rubens Queroz, criador da Dicas-L, hospedou a pesquisa da minha orientanda Eliane Y. Iwasaki. Ela produziu um excelente texto sobre a relação comunidade-empresa no contexto do software livre. Abaixo, seguem o resumo e o link.

Segue o link: http://www.dicas-l.com.br/download/movimento_open_source.pdf


MOVIMENTO OPEN SOURCE: a importância da comunicação e da relação entre empresas e comunidades para o mercado.

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo compreender o modelo de produção do software livre, motivações de colaboradores de comunidades open source e sua influência no mercado de TI. Para a realização deste estudo, a internet foi amplamente utilizada como fonte de informações sobre comunidades, mercado de TI, tecnologia e de duas grandes entidades representando empresa e comunidade: Red Hat e Fedora. Complementei esta pesquisa bibliográfica com meus conhecimentos obtidos por meio de participação em palestras e eventos, além do acesso a informações e pessoas dentro das entidades citadas, devido a minha atual posição no departamento de Marketing da empresa Red Hat Brasil. A conclusão obtida a partir dos resultados da pesquisa afirma ou contesta hipóteses levantadas no início do estudo, esclarecendo muitas questões a respeito deste movimento revolucionário e inovador. Pode ainda contribuir para a relação entre empresa e comunidade open source, visando a continuidade e crescimento deste mercado.

Wednesday, April 09, 2008

REGULAMENTAR ALGO QUE NÃO ESTÁ PREVISTO NA LEI NÃO É REGULAMENTAÇÃO, É O PRÓPRIO ATO DE LEGISLAR! TRATAR A INTERNET COMO TELEVISÃO É UM EQUÍVOCO.

A Lei Eleitoral 9504, de 1997, e a Lei 11300, de 2006, não tratam da Internet. Então, como pode o TSE legislar sobre algo que não está na lei? A imprensa, os partidos e a sociedade devem se manifestar contra este desvirtuamento da prática democrática e da clássica divisão de poderes. Um juiz não cria a lei. Ele julga com base na lei. A lei é suficientemente genérica para permitir a justa interpretação dos magistrados. Agora, o mais grave é quando um poder legisla sem que os cidadãos possam expor sua discordância sobre a definição legal. Onde a regulamentação do TSE, que quer enquadrar o uso da rede mundial de computadores, foi debatido? Onde, nós estudiosos da comunicação poderemos afirmar que tratar a Internet como se fosse uma emissora de Televisão é um equívoco perigoso?

Ao proibir que se use a Internet livremente o TSE está atacando o espírito da democracia deliberativa e a liberdade de discussão. A Internet é o meio propício para os cidadãos conhecerem o programa, as propostas, o comportamneto de seus candidatos. Impedir que o debate aconteça no orkut, como ocorreu em 2006, é um equívoco anti-democrático. Bloquear a possibilidade dos candidatos colocarem seus vídeos no youtube serve apenas aos poderosos que têm poder econômico para comprar uma enorme banda para os seus sites oficiais. Impedir o uso de chats e de conferências de VoIP é barrar o debate democrático entre candidatos e eleitores.

Então, será que a OAB não irá se manifestar?

Proponho que os blogueiros e sites democráticos coloquem frases de protesto:
Bloquear o uso da Internet é atacar a democracia e a liberdade de expressão e reunião no ciberespaço. É preciso mudar a Resolução 22.718 do TSE.

Quem sabe, eles não mudam. Como não foi votado pelo Congresso, é muito mais fácil mudar a resolução. Até porque ela não pode ser votada, pois não é lei.

PIADA: MICRO$OFT DIZ QUE É OPEN SOURCE... SERÁ QUE O BALLMER MUDOU DE IDÉIA???


Ontem recebi um e-mail. Li e achei que era uma "pegadinha" do João Cassino ou o Mário Teza contando uma piada. Mas não era. O e-mail dizia o seguinte:

"No próximo dia 11 de abril, a Microsoft realizará em sua cidade um workshop sobre Open Source e Interoperabilidade. Confira a agenda abaixo e aproveite, pois hoje é o último dia para inscrições.
Microsoft : Open Source e Interoperabilidade
(...)"

O monopólio mundial de software para desktop está sentindo a necessidade de aderir ao código aberto. É óbvio que a micro$oft não realiza interoperabilidade nem entre os seus próprios produtos. Mas o fato novo é que depois de Gates, Ballmer e outros executivos do monopólio combaterem o open source, afirmarem que o software livre tinha os seus dias contados, depois de muitos FUDs, agora são obrigados a dizer que aderiram. É claro que não é verdade. Antes de começarem a prestar suporte para a família BSD, a micro$oft irá tentar dizer que open source é dar acesso ao código para que suas empresas dependentes desenvolvam aplicações (o que sempre existiu e não é open source, nem aqui nem na China). Ah! A última... Agora a microsoft tem até "evangelizador". Imagine eles tentando imitar o pessoal da Apple, da SUN e, principalmente, tentando se assemelhar às comunidades de software livre...

Monday, April 07, 2008

CELULAR SEM OPERADORA: SERIA VIÁVEL A GRATUIDADE NA COMUNICAÇÃO?


Recebi da Mariel o link da UOL com as imagens do celular que permite realizar VoIP diretamente na Internet. Prá que operadoras? O fato é que a conexão de Internet não dispensa as operadoras que conectam os roteadores ou que fornecem a conexão Wi-Max. Mas já temos cidades que começaram a abrir o sinal de Internet em todo a área municipal urbana. A Prefeitura paga o link e socializa o sinal entre os moradores. Nessas cidades existe uma verdadeira nuvem digital sobre nossos aparelhos de comunicação. Aí vêm a turma do Kptal perguntando: quem paga? é gratuito?

Qual o problema da comunicação gratuita? Como direito humano? Qual?

De novo, os kptalistas diriam "não existe almoço grátis". Alguém deve pagar a conta. Isto é verdade em um ecossistema baseado em contas. Existe trocas baseadas na dádiva. Existe a economia da dádiva ou gift economy.

Eu espero, usar, em breve, um celular P2P. Como a conectividade é baseada na colaboração em que cada aparelho retransmite o sinal dos demais, não caberá a idéia de contas a pagar.

Sunday, April 06, 2008

PESQUISA DISCUTE A RELAÇÃO ENTRE EMPRESA E COMUNIDADE (RED HAT-FEDORA).



Eliane Yumi Iwasaki tirou nota 10 (dez) na monografia final que apresentou à Faculdade Cásper Líbero, no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Marketing. Tive a oportunidade de orientar o seu trabalho que consistiu em uma interessante pesquisa e abordagem sobre a relação entre a comunidade Fedora e a empresa Red Hat. Eliane partiu da hipótese que "o papel das comunidades é essencial para o modelo de negócios 'open source', pois constitui um diferencial competitivo perante concorrência (modelo proprietário)". A apresentação dos resultados de sua pesquisa é concisa e objetiva. Permite esclarecer dúvidas comuns que emergem, principalmente, no mundo empresarial sobre o modelo de negócios de código aberto.

Segue, abaixo, o resumo do texto da Eliane Y. Iwasaki.

MOVIMENTO OPEN SOURCE: a importância da comunicação e da relação entre empresas e comunidades para o mercado.

Este trabalho tem como objetivo compreender o modelo de produção do software livre, motivações de colaboradores de comunidades open source e sua influência no mercado de TI. Para a realização deste estudo, a internet foi amplamente utilizada como fonte de informações sobre comunidades, mercado de TI, tecnologia e de duas grandes entidades representando empresa e comunidade: Red Hat e Fedora. Complementei esta pesquisa bibliográfica com meus conhecimentos obtidos por meio de
participação em palestras e eventos, além do acesso a informações e pessoas dentro das entidades citadas, devido a minha atual posição no departamento de Marketing da empresa Red Hat Brasil. A conclusão obtida a partir dos resultados da pesquisa afirma ou contesta hipóteses levantadas no início do estudo, esclarecendo muitas questões a respeito deste movimento revolucionário e inovador. Pode ainda contribuir para a relação entre empresa e comunidade open source, visando a continuidade e crescimento deste mercado.

Palavras-chave: Internet, Colaboração, Comunicação, Comunidades open source

Thursday, April 03, 2008

SOBRE KAFKA, TSE, INTERNET E "O PROCESSO"...



Ontem, escrevi neste blog que o parecer técnico que subsidiou a decisão do TSE, que restringe a propaganda na Internet, era kafkiano. Como não expliquei bem os motivos desta afirmação, considero que uma passagem do livro O Processo é extremamente esclarecedora do absurdo similar que estaremos vivendo caso o TSE mantenha sua resolução.
Vejam:

"-- Aqui estão os meus documentos de identidade.
-- Que importância eles têm para nós? -- bradou então o guarda grande. -- O senhor se comporta pior que uma criança. O que quer, afinal? Quer acabar logo com o seu longo e maldito processo discutindo conosco, guardas, sobre identidade e ordem de detenção? Somos funcionários subalternos que mal conhecem um documento de identidade e que não têm outra coisa a ver com o seu caso a não ser vigiá-lo dez horas por dia, sendo pagos para isso. É tudo o que somos, mas a despeito disso somos capazes de perceber que as altas autoridades a cujo serviço estamos, antes de determinarem uma detenção como esta, se informam com muita precisão sobre os motivos dela e sobre a pessoa do detido. Aqui não há erro. Nossas autoridades, até onde as conheço, e só conheço seus níveis mais baixos, não buscam a culpa na população, mas, conforme consta na lei, são atraídas pela culpa e precisam nos enviar -- a nós, guardas. Esta é a lei. Onde haveria erro?
-- Essa lei eu não conheço -- disse K.
-- Tanto pior para o senhor -- disse o guarda.
-- Ela só existe nas suas cabeças -- disse K, querendo de maneira se infiltrar nos pensamentos dos guardas, revertê-los em seu favor ou neles se instalar.
Mas o guarda, num tom de rejeição, disse apenas:
-- O senhor irá senti-la.
Franz se intrometeu e disse:
-- Veja, Willian, ele admite que não conhece a lei e ao mesmo tempo afirma que é inocente."

(KAFKA, Franz. O processo. Tradução: Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, pp 15-16)


Um parecer técnico da assessoria do TSE, divulgado pela imprensa, trouxe a absurda conclusão: "o que não é previsto [na legislação eleitoral] é proibido". Pois é exatemente o contrário, o que a lei não proibe é permitido. Imagine se prevalecer esta idéia da assessoria do TSE? Estaremos vivendo na sociedade do Minority Report. Você poderá ser culpado de algo que a lei não proibe. É o princípio Kafkiano aplicado. Ou seja, viveremos a situação em que os executores da lei -- que existe apenas na cabeça das autoridades, já que o que não está proibido também não está autorizado -- poderão dizer aos candidatos e seus apoiadores que "as altas autoridades a cujo serviço estamos, antes de determinarem uma detenção como esta, se informam com muita precisão sobre os motivos dela e sobre a pessoa do detido. Aqui não há erro."...

Wednesday, April 02, 2008

GUERRA DOS PADRÕES NÃO ESTÁ NO TERRENO TÉCNICO. A ISO APROVA UM ARRANJO DO MONOPÓLIO COMO PADRÃO MUNDIAL.



Bush e os diplomatas da micro$oft atuaram para inverter o posicionamento técnico do Japão e da Inglaterra. Países pobres, aprisionados pelas promessas de licenças gratuitas e doações em dinheiro do monopólio mundial de software, votaram com o monopólio. Os ténicos norte-americanos, na primeira votação ocorrida no ano passado, haviam decidido rejeitar o arranjo inoperável chamado Open XML, OOXML. Mas o governo norte-americano interferiu na decisão, pois a administração Bush defende a manutenção do poder de aprisonamento da micro$oft sobre os demais países.

Como eu havia alertado para muitos defensores da qualidade técnica e da interoperabilidade, a decisão sobre padrões deveria ser técnica, mas não é! Se fosse, jamais a ISO aprovaria um padrão que tem mais de 5 mil linhas de códigos, muitas delas definidas como impróprias para o uso pela própria micro$oft. Mas, a ISO foi capturada pelo monopólio e seguirá daqui prá frente uma rota lamentavelmente descendente.

Se a decisão fosse técnica, países asiáticos jamais poderiam considerar como padrão internacional um arranjo que não suporta línguas orientais. Mas o Paquistão, Azerbaijão, Siria e Arábia Saudita votaram com a micro$oft contra sua própria cultura.

A Guerra de padrões é, antes de mais nada, uma disputa econômica e de política tecnológica. Está em jogo, a autonomia tecnológica e a capacidade de desenvolvimento. Por isso, o Brasil, a Índia, a China e a África do Sul votaram claramente NÃO ao OOXML.

O que deve ter acontecido para que tantos comitês técnicos desconsiderassem as mais de 40 objeções que o Brasil levantou contra o padrão OOXML? O brilhante e rigoroso trabalho técnico do Jomar Silva e da equipe brasileira serviu para demonstrar, infelizmente, que nos comitês de padronização a micro$oft sempre tentará fazer valer o seu poder econômico.

Temos agora que tomar cuidado, pois o monopólio tentará atrasar a implementação da ODF no país. No fundo, o monopólio lançou o OOXML para evitar que houvesse concorrência dentro de um mesmo padrão. O monopólio sabe que o OOXML é praticamente inaplicável fora dos produtos da própria micro$oft. É um arranjo absurdo, no qual você tem que implementar até mesmo um erro de data para que sua aplicação funcione corretamente. Não é por menos que a notícia da aprovação do OOXML foi divulgada ontem no Brasil. Sim, ontem, dia 1 de Abril. O dia do OOXML.

PROIBIÇÃO DE CAMPANHA NA INTERNET É INCONSTITUCIONAL E EXAGERADA

Um parecer técnico da assessoria do TSE, que quer proibir o uso livre da Internet nas eleições, traz a absurda conclusão: "o que não é previsto [na legislação eleitoral] é proibido". Pois é exatemente o contrário, o que a lei não proibe é permitido. Imagine se prevalecer esta idéia da assessoria do TSE? Estaremos vivendo na sociedade do Minority Report. Você poderá ser culpado de algo que a lei não proibe. É o princípio Kafkiano aplicado. Inclusive, para ser aplicável tal afirmação violaria o princípio de que a lei só retrocede a favor do réu. Ninguém pode ser condenado por um ato que não era ilegal no momento em que foi praticado.

O mais estranho e absurdo é o TSE legislar sobre eleições. Quem deve legislar é outro Poder. Para ter a devida isenção e distância das disputas políticas, o Judiciário não deveria violar o princípio de Montesquieu. Quem julga não pode definir a lei. Quem legisla não pode julgar. Dizer que proibir a propaganda na Internet, a rede mundial de computadores, é um ato administrativo, uma mera regulamentação da Lei Eleitoral, é um pouco descabido. Não acha?

Outra aberração é dizer que se alguém criar uma comunidade no orkut de um candidato, esse candidato será responsabilizado e poderá ser cassado. Imagine! Os adversários de uma candidatura poderão se divertir a valer. Basta simplesmente fazer uns perfis falsos e criar comunidades pró-fulano. Pronto, fulano será cassado. O pior. Fulano recorrerá contra esta decisão absurda e desmoralizará a inaplicável resolução. Quando um código é exagerada serve tão somente a aplicação arbitrária.

Como disse Marcelo Tas, o TSE deveria incentivar o debate democrático. Deveria incentivar as manifestações usando os inúmeros recursos da rede, a maioria absoluta gratuitos. Dizer que o TSE quer coibir o poder econômico é desconhecer totalmente o funcionamento da rede. Ao contrário, ao bloquear o uso de recursos gratuitos (orkut, blogs, Flickr, videologs, youtube, myspace, facebook, twitter, e tantos outros que os técnicos do TSE pretendem controlar) a resolução do TSE privilegia o uso de recursos pagos. Um absurdo.

Por fim, será que os Ministros perceberam o exagero da Resolução? Com ela está proibido o uso de e-mails e listas de discussão. Como cidadão, eu quero interferir nas leis que terei que seguir. Onde foi realizado o debate público desta resolução que chega a legislar sobre o uso de uma rede transnacional? Acho que é hora da OAB e dos juristas defenderem o estado de direito e o princípio da divisão de poderes.

Monday, March 31, 2008

CASO DO LIVRO CIENTÍFICO: PESQUISA MOSTRA APROPRIAÇÃO PRIVADA DO CONHECIMENTO FINANCIADO COM RECURSOS PÚBLICOS.



O GPOPAI (Grupo de Pesquisa Pública de Acesso a Informação), com sede na Universidade de São Paulo, está dedicado "à investigação de temas relacionados à propriedade intelectual com ênfase nos constrangimentos que as atuais regras impõem ao acesso público à informação, à cultura e ao conhecimento". Atualmente é composto pelos professores doutores Jorge Alberto Machado, Pablo Ortellado e Gisele Craveiro, dos cursos de Gestão de Políticas Públicas e Sistemas da Informação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo e de Alcimar Silva de Queiroz, Cristiana Gonzalez, Eduardo B. Barbosa, Luis E. T. Leon, Rodolfo L. Castanheira, Rodrigo B. de Almeida, Sarah Elizabeth Floriano Machado e Thais Carrança Eduardo.

A pesquisa lançada pelo GPOPAI, na terça-feira, 25 de março, mostrou o elevado subsídio à indústria do livro técnico e científico e grandes limitações de acesso aos conteúdos produzidos com recursos públicos.

Os livros científicos, técnicos e profissionais representam cerca de um
quarto dos títulos editados no Brasil e 20% do faturamento do mercado
editorial.

A pesquisa esclarece, entre outras constatações extremamente relevantes, que "um levantamento realizado em 10 cursos na Universidade de São Paulo mostrou que os custos de aquisição dos livros exigidos num ano comprometeria mais de 90% da renda familiar mensal dos estudantes".

O relatório completo pode ser baixado na Internet:
https://www.gpopai.usp.br/wiki/images/8/8f/Relatorio.pdf